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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Cadeados do Amor em Chaves

Moda de Paris chegou à Ponte Romana

O AMOR
A jovem deusa passa
Com véus discretos sobre a virgindade;
Olha e não olha, como a mocidade;
E um jovem deus pressente aquela graça.

Depois, a vida do desejo enlaça
Numa só volta a dupla divindade;
E os jovens deuses abrem-se à verdade,
Sedentos de beber na mesma taça.

É um vinho amargo que lhes cresta na boca;
Um condão vago que os desperta e toca
De humana e dolorosa consciência.

E abraçam-se de novo, já sem asas.
Homens apenas, vivos como brasas,
A queimar o que resta da inocência.

Miguel Torga
(Portugal 1907-1995)

A moda de prender cadeados de amor nas grades de ferro da Pont des Arts, em Paris, chegou à Ponte Romana, em Chaves,  em 2014.


No verão passado, algumas dezenas deles podiam ser vistos no gradeamento.


A câmara tem-nos retirado mas, para agradar aos namorados, ergueu um monumento em forma de dois corações, no Jardim do Tabulado, à beira do Tâmega, junto ao qual inscreveu, numa placa, o bonito poema "o Amor", de Miguel Torga.




domingo, 8 de setembro de 2013

Romanos, de volta a Chaves

Encontro de Galaicos e Legionários

 
VII Legião do império romano na Ponte de Trajano, 2000 anos depois.
 





sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Missa do 7º Dia

Aleluia do morgado de Monforte

Crítica de leitura

Vinte páginas, uma leitura muito agradável de uma “quase” bonita história de amor. No “quase”, a surpresa do desenlace. O gabiru da cidade e a Aninhas da pensão da Madalena como que se esfumam perante a força e a astúcia de uma mãe que sabe muito bem o que quer para a filha, agindo e seduzindo o futuro genro, o morgado de Monforte, até o trancar no quarto da moça. Muito engraçado. Uma mulher prática, transmontana até à medula, quer pela conduta, quer pelo discurso. A viragem que aquela missa de 7º dia provoca na ação, faz dela a escolha do título da obra.


E que dizer da toponímia da cidade de Chaves? As ruas, os estabelecimentos comerciais são uma referência constante – o Mocho, os Machados, o Benjamim Eugénio Leite, a padaria Rito, a pensão Império, o Central. Os dois antigos clubes, a feira dos recos no Campo da Fonte, a feira do gado no Tabulado, são pinceladas breves da vida flaviense do século passado.


A linguagem é saborosamente coloquial, com marcas de oralidade local – o biju da Gracinda, a sêmea de Lebução, o meio dia novo, o meio dia velho; aquele pai que “era um bô home”.
Resta agradecer ao autor esta viagem no tempo, por espaços que já foram e estas personagens que parece também terem-se já cruzado connosco, numa qualquer rua da cidade.
 Mariana
10 de julho de 2013



A obra, escrita por Luís Henrique Fernandes,  foi-me oferecida pelo autor, em Castromil de Castela, durante o XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues do Alto Tâmega e da Galiza. Já nos tínhamos cruzado em anterior encontro da blogosfera e conhecia-o da internet  pelo pseudónimo de Tupamaro. Os seus comentários no blogue Travancas da Raia, marcados por uma linguagem truculenta e jocosa, deram-me dele a imagem de homem culto, cioso das raízes tamaganas, povo celta que habitou as terras da euro-cidade Verin-Chaves. 


Neste XIX Encontro, durante o almoço no restaurante O Cazador, em Pereiro (Galiza), pudemos conversar um pouco mais, tendo ficado a saber que Tupamaro lia Gilles Deleuze e Michel Foucault. Antes dele, só o amigo Kjell, dos tempos da Sorbonne, me falou da admiração por esses dois filósofos. 



O conto, Missa do 7º dia, foi escrito em 2009, em Mozelos, Vila da Feira, onde o autor mora.  O blogue "Chaves, olhares sobre a cidade" publicou-o na íntegra, de abril a julho de 2011, em onze episódios. Clicar aqui para aceder à obra no blogue. Ao Luís Fernandes,  votos de uma inesgotável  veia literária, para que nos continue a  brindar com a  sua saborosa escrita. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Chaves na Rota do Românico

Igreja de Nossa Senhora da Azinheira

Quando o norte da França e a Alemanha já estavam na Era  das Catedrais Góticas, em Trás-os-Montes,  o poder religioso, com sede em Braga, continuava a  mandar construir  igrejas românicas simples, de uma só nave, como a de Nossa Senhora da Azinheira, em Outeiro Seco.
 
 
 
A primeira referência  a esta igreja, na qual casavam, em meados do século XX, "as meninas finas" de Chaves, aparece num documento de 1235. Conjetura-se, no entanto, sem provas, que a construção seja anterior.
 
 
 
 Fachada principal
"Com um pórtico, de volta inteira, de duas arquivoltas ornamentadas, assentes em impostas sobre dois pares de colunas com capitéis  de decoração vegetalista, antropomórfica e zoomórfica".
 
 
 
Foto da década de 1920, picada do blogue Chaves Antiga
 
Foto de 1936, picada do blogue Chaves Antiga
 
As obras de restauro, na década de trinta do século XX, além de removerem o campanário e a galilé - acrescento feito no século XVIIII  - rematando a fachada principal por empena simples, fizeram outras alterações.


Foto de 1936 picada do blogue Outeiro Seco
 
No conjunto,  essas alterações, feitas com o objetivo de aproximar a  igreja da Senhora da Azinheira com a estrutura que teria na Idade Média, alteraram a sua tipologia, deixando-a sem torre sineira, tal como à igreja românica de São João Batista, em Cimo de Vila da Castanheira.
 
 
"As paredes interiores conservam algumas pinturas a fresco dos séculos XV-XVI e dois retábulos de  talha policroma de estilo rococó".
 
Houve frescos, afetados pela humidade, que foram removidos da capela-mor e das paredes laterais para serem restaurados pelo Instituto José Figueiredo, em Lisboa, onde estão depositados alguns deles. Os outros encontram-se no Museu Nacional Soares dos Reis, do Porto e no Museu Regional Alberto Sampaio, em Guimarães.
 
 
 
A igreja da Senhora da Azinheira está incluída num projeto transfronteiriço de restauro de 33 igrejas românicas de Zamora, Salamanca, Porto, Bragança e Vila Real. Em Trás-os-Montes, no projeto, estão contempladas cinco igrejas do distrito de Bragança e sete de Vila Real.
 
O Projeto Românico Atlântico,  cujo protocolo foi assinado em 23 de setembro de 2010, é financado pela Iberdrola, empresa de eletrecidade espanhola que tem barragens adjudicadas no rio Tâmega e a cuja construção se opõem os movimentos ecologistas.
 
 
 
"A capela-mor apresenta no topo uma fresta que exteriormente tem um arco de volta quebrada, com ornamentações de bolas, assente sobre duas colunas de capitéis, um decorado com folhagens e o outro com motivo zoomórfico".



"Toda a igreja, e a sacristia, é percorrida por cachorrada com representações faciais humanas, animais e bolas".
 
 
 
 
Nos anos 60 do século XX foi criada uma zona de proteção entre o adro e o cemitério, anexo à igreja. Propriedade do Estado e classificada com Imóvel de Interesse Público, a igreja da Senhora da Azinheira tem função religiosa e turística.  Resta saber se com o atual restauro dos frescos que não foram retirados, se regressam aqueles que foram removidos há decadas.
 
 
 
Para terminar, fica uma pergunta. Onde páram as onze tampas sepulcrais, incluindo uma com a cruz dos Pereiras, datável do século XIV, retiradas na década de trinta, do pavimento da igreja?
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Chaves no Outono

Aquae Flaviae me mata!

Hino de Chaves
 
Ó Chaves, nobre cidade
Pelo Tâmega beijada





Deixas sempre uma saudade,
Terra linda... terra amada!




Cidade linda,
Deste nosso Portugal,

 

Com a tua veiga infinda,
De riqueza sem igual!

 
Terra d'encanto
Que tanta beleza encerra,
 
 
A quem nós queremos tanto,
Porque és tu a nossa terra!

Ó linda Ponte Romana,
Recordas aos que te olharam

 
Tempos remotos, distantes
De gerações que passaram!
 
 
Para as doenças mais graves
Até damos a saúde,

 
Veham às Caldas de Chaves
As Caldas de mais virtude!
 
 
 

sábado, 15 de setembro de 2012

Feira Medieval de Chaves

Viagem ao passado em terras de fronteira
 
Nos dias 8 e 9 de setembro, a eurocidade Chaves-Verin regressou ao passado com a realização da  "VII Viagem Medieval em Terras de Fronteira".
 
 
Uma interessante atividade da viagem à Idade Média foi a recriação do segundo casamento de D. Afonso III, o Bolonhês, de 43 anos, com dona Beatriz, de Castela, de 11 anos, filha natural de Afoso X, o Sábio, no castelo de Santo Estevão, concelho de Chaves, no ano de 1253.
 
 
Bandeira de Portugal no reinado de D. Afonso III. 
A bordadura vermelha foi acresentada à bandeira azul e branca, talvez numa referência ao casamento do rei com Dona Beatriz de Castela e à integração definitiva do Algarve no Reino de Portugal, após a conquista dos sete castelos  aos reis mouros. 
 
 
 
 
 
Falcoaria
 
 
Aves de rapina
 
 
 
 
 
 
 
Artesanato
 
 
 

 
 
 
 
 
 
Desfile