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segunda-feira, 11 de março de 2013

Amendoeiras Floridas

A Rota de Mirandela

No última semana de fevereiro, depois de uma tentativa frustante de fotografar amendoeiras em floração no Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo e  Vila Flor, por falta de matéria-prima, o amigo em casa de quem passei o fim-de-semana, em Mirandela, recomendou-me  ir até Avidagos, à descoberta das amendoeiras.
 

Assim fizémos. O caminho, saindo de Mirandela pela N15, é panorâmico, tornado ainda mais atrativo com as amendoeiras em flor. As fotos foram tiradas entre Passos, Lamas de Orelhão, Franco, Pereira e Avidagos.
 
 
Capela à entrada do caminho para a aldeia de Pereira.
 
 
Nesta zona planáltica,  principalmente no trajeto entre Franco e Avidagos, a bonita estrada é bordejada de amendoais, a perderem-se de vista até ao sopé da Serra de Valpaços, vinhedos de Murça, terras de Ansiães e Serra de Bornes.

 
Em dia ensolarado,  o tratorista sai para o campo, para lavrar as terras.
 


Antigamente, na primavera, estes campos cobriam-se de verdejantes searas de centeio, tornados cor de ouro, no tórrido verão da Terra Quente.


Mas, subsídios comunitários substituiram culturas cerealíferas por amendoais, olivais e outras culturas arvenses.
 
 
 
Adubando o amendoal.
Como se vê, pelos tubos de rega, o amendoal deixou de ser uma cultura de sequeiro. O objetivo do investimento é que cada árvore produza maior quantidade de frutos e o miolo da amêndoa seja de maior dimensão.
 
 
 Cor e bucolismo
 
O pastor, além de cinco cães e do cajado com que todos andam, segura na mão um rádio, onde vai ouvindo o noticiário e a Joana cantarolar o  Cacetete da mulher  polícia.
 
 
Cão de gado transmontano a orientar ovinos e caprinos na travessia da estrada. Não é que os animais obedecem?
 
 
 
Beleza e perfume das amendoeiras da Terra Quente.
 
 
A Rota de Mirandela, das amendoeiras floridas, é uma excelente alternativa aos clássicos circuitos que englobam os concelhos das duas margens do Alto Douro.
 

Percurso proposto:
Mirandela - Passos - Lamas de Orelhão - Avidagos - Navalho - Carvalhal - Barcel - Fonte da Urze - Mirandela ou vice-versa.  Um percurso maior pode incluir Abreiro, Vilas Boas e Cachão.
 

Paisagens magníficas


Amendoeiras por todo o lado
 

 Amendoeira de floração temporã.


Por  causa das pétalas cor-de-rosa, estas flores de amendoeira, por vezes, são confundidas com flores de pessegueiro!
   
 
Que variedade frutifica nas flores? Será a molar, a amêndoa que mais facilmente se parte com os dentes?
 

 Variedade tardia de amendoeiras, ainda por florir.
 

Tradicional imagem de amendoeiras de pétalas brancas. Ao cairem formam um tapete de brancura, a que chamaram neve do Algarve, quando a região as tinha. Neve de pétalas brancas, agora, só no Alto Douro e na Terra Quente!
 
 
Depois de uma aprazível manhã a passear por entre amendoeiras em floração, regressei, feliz, a Mirandela, onde me esperava um suculento cozido feito pela Dona Lurdes.
 

Mirandela não é só terra das alheiras! Campanhas de marketing podem transformar o concelho na nova coqueluche das amendoeiras em flor!
 
 
Capela em Pereira 
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Acácia Mimosa em Flor

Árvore sagrada na antiguidade

Acácia, em grego, akakia, significa inocência ou pureza. Além de ser símbolo da iniciação para uma vida nova, simboliza a imortalidade da alma.
 
 
Encontrei inúmeras destas árvores há dias, na estrada que leva a Mirandela, quando procurava amendoeiras em flor. A beleza das mimosas floridas prenunciava a chegada da primavera.
 
 
Na antiguidade, a acácia era considerada o símbolo do sol, tanto pelas suas folhas, que ao amanhecer se abrem à luz solar, como pelas suas flores, em forma de bolas de ouro.
 
 
  
No Egito dos faraós,  a madeira das acácias, pela sua dureza e incorruptibilidade, não sofrendo ataque de insetos, era usada para a produção de sarcófagos e artigos sagrados. A cola dos ramos e tronco, conhecida pelo nome de goma-arábica, era usada nas cerimónias de mumificação.
 
 
Entre os judeus, a acácia ou madeira de setim, como refere a Bíblia, tinha usos sagrados, antes de ser substituída pelo cedro e pelo cipreste. Foi com a sua madeira, por ser resistente à putrefação, provocada pela humidade, que os hebreus fizeram o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a mesa dos pães propiciais e o altar dos holocaustos.
 
 
 
De acordo com uma tradição iniciática, a acácia está associada à lenda de  Hiram Abif, arquiteto do Templo de Salomão, assassinado por três companheiros. Uma das versões da lenda diz que a acácia simboliza a ressurreição do mestre, porque do seu corpo, enterrado no Monte Moriah, brotou um ramo dessa planta.
 
 
 
Outra lenda, no cristianismo, diz que a madeira de acácia foi usada na confeção da cruz em que Jesus foi executado. Especula-se que a coroa de espinhos seria feita de um ramo de acácia do Egito, variedade espinhosa.
 
 

Há centenas de variedades de acácias em todo o mundo. A que se encontra espalhada por Trás-os-Montes, na Terra Quente, em particular, é a acácia dealbata ou mimosa.
 
 
 
Para terminar...
 
Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela 
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem
                                              Luís Gonzaga, Rei do Baião
 
 
 
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Feira da Alheira

Na Princesa do Tua

Durante dois fins-de-semana, a Câmara Municipal de Mirandela promove uma feira gastronómica em que a alheira é rainha.  O próximo  cai nos dias dois e três de março de 2013.

 
Fazendo jus à designação de Mirandela, "Cidade das Flores", o espaço envolvente à feira foi decorado com carretas de flores. 
 

A "Alheira de Mirandela", ex-libris da cidade, é o cartão de visita que leva o nome da cidade a todo o país.   Além da tradicional alheira, feita com entremeada de porco, couracha e galinha,  e da "alheira de caça", a oferta estende-se agora à "alheira de bacalhau", a 7,50 € o quilo.
 


A Alheira de Mirandela, a pretexto, talvez, de  ter sido eleita uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, é vendida a oito euros,  mais cara que a alheira artesanal, de excelente qualidade, mas sem selo de certificação.  
 
Esta medida pode ser um bom negócio para quem produz mas não, necessariamente, para quem consome. O mesmo produto tem preço diferente, com selo ou sem ele. Ser mais caro nem sempre é   sinónimo de qualidade superior!



Além da alheira, o consumidor encontra todo o tipo de fumeiro nas barracas instaladas nos três pavilhões do Parque do Império.
 

Queijos, queijos, queijos... de cabra, de ovelha, de vaca, de mistura.  É impossível aos gourmands não provarem os saborosos petiscos das queijarias Vaz, do Navalho, e da Escola Agrícola de Carvalhais.
 

A padaria Avô Moleiro apresentou-se com uma variada gama de pães. Porque é que as padarias de Oeiras, um dos concelhos com maior poder de compra do país, priviligiam o consumo da carcaça ? Apetece dizer, Avô Moleiro, para Oeiras!
 

Doce tentação! 
 

Folar doce, com delicioso sabor a aguardente.


 Tapeçaria tradicional.
 
 
Livros comprados na Feira da Alheira
 

 OS TEIXEIRA LOPES. O título do livro despertou-me a atenção porque  uma tia de Abreiro, já falecida, falava-me dessa família, "muito nossa amiga", dizendo que o pintor Armindo Teixeira Lopes era "nosso parente", por parte de um avô paterno. O enigma, contudo, permanece.
 
Quem é o Alfaiate de Mirandela? A menina do stand da Câmara apenas me soube dizer  que o homem tinha sido preso pela PIDE.  Joaquim Natal Figueiredo, 1919-1986, além de ser comunista,  era tio da esposa do Dr. José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela. A biografia, escrita por Albano Viseu, doutorado em História, é uma homenagem da família ao mirandelense anti-fascista.   
  

Princesa do Tua
 
 
Mirandela, Cidade florida 

Valeu a pena deslocar-me a Mirandela, à Feira da Alheira e ao convívio com amigos.  Ó Mirandela, quem te viu há-de voltar!
 

domingo, 6 de maio de 2012

Feira do Morango

São Pedro Velho - Mirandela

Mirandela, a preparar já a Feira da Cereja, no próximo  dia 13 de maio, em Mascarenhas, organizou este fim de semana, através da Junta de Freguesia de São Pedro Velho, a IV Feira do Vinho e Morangos.


“O morango é um produto de excelência na aldeia, aqui mesmo produzido, é consumido em grande parte da região de Trás-os-Montes” . Carlos Pires, Presidente da Junta.


Na freguesia há cinco produtores, já houve seis, que produzem cerca de cem toneladas anuais de morangos.


Exploração junto ao Rio Tuela.


A produção iniciava-se por volta do mês de abril e prolongava-se até agosto. Agora, graças  a uma variedade que está constantemente a florir, consegue-se produzir até novembro.


Morangos  grandes, suculentos e doces.


A Câmara aposta na realização deste tipo de eventos nas aldeias, como forma de promover a produção local.

Produtor satisfeito. Em 2011 vendeu cerca de 1500 kg de morangos durante o certame.


Muita gente desconhece que São Pedro Velho, situada na Terra Quente,  seja uma aldeia produtora de morangos para o mercado. A feira  contribui para lhe dar mais visibilidade.



Falta de concorrência! Todos os produtores vendem a dez euros a caixa  de 10 kg. Parece claro que concertação de preços não favorece o consumidor.


Mas a feira não é apenas do morango.

Queijo, vinho, azeite, figos, artesanato... É tudo transmontano! Nada, diz a Câmara, vem de outras regiões!


É aqui, na padaria do Amândio, que se fabrica do melhor pão centeio de Mirandela e um dos melhores do Norte de Portugal. O segredo é o fabrico tradicional e cozido em forno de lenha.  Até as alheiras de Travancas, concelho de Chaves, são feitas com pão de São Pedro Velho!


A feira,  apesar de se realizar num espaço rural e ter poucos anos de existência, apresenta-se com a animação de feira feita com profissionalismo.


Gaiteiros de Lebução


Tive a sorte de durante a  minha estadia ter visto atuar  este grupo, fundado  em 2003 na aldeia de Lebução, concelho de Valpaços.


Em conversa com o professor Manuel, galego de Ourense, fiquei com a ideia que sente nostalgia do tempo em que galaico-portugueses  não estavam divididos por fronteiras políticas. 
Mas, aqui na raia, a Portugal Telecom ergue mais uma em nome do progresso. Antes do TDT chegar à aldeia víamos canais espanhóis. Agora, o apagão até isso nos tirou!



Depois de ouvir os Gaiteiros de Lebução tocaram tão bem A Carvalhesa, Alá!, como dizem os de Arzádegos, fui a casa do amigo de  Vila Flor abastecer-me de azeite fino da Terra Quente, antes de regressar à Capital da Batata.













Contada delo Abade de Baçal
Custódio, santo soldado, natural de São Pedro Velho. 


"Inocentemente arcabuzado em em 12 de maio de 1813, em Vila Real, onde se  encontra sepultado na igreja da misericórdia, considerando-o santo o povo, a ele recorre nas suas aflições, sem esperar o beneplácito de Roma".



Casa das varandas.
Quem salva esta preciosidade das desavenças entre herdeiros?