domingo, 18 de maio de 2008

Museus, Pontes Entre Culturas

18 de Maio, Dia Internacional dos Museus



Casa do Careto de Podence, Macêdo de Cavaleiros


Lugar de fruição cultural e de encontro social, evocativo do Entrudo local.

Na Casa do Careto, aberta ao público em 2004, encontram-se telas da pintora Graça Morais e de Balbina Mendes, fotografias de António Pinto e Francisco Salgueiro, algumas publicações, os fatos, os chocalhos, as máscaras e toda a indumentária destas figuras enigmáticas.

Encontram-se ainda os únicos seres que os caretos respeitam nas suas tropelias, gritarias, chocalhadas: as marafonas!

Caretos de Podence, Graça Morais

Museu
Ibérico
da
Máscara e Traje

Bragança

Dedica-se às Festas de Carnaval e às Festas de Inverno das zonas do Douro e Montesinho (Tras-os-Montes) eàs Mascaradas de Inverno da Provìncia de Zamora (Espanha)





























Casa da Máscara, Lazarim (Lamego)

Museu Militar de Bragança

18 de Maio, Dia Internacional dos Museus

O interessante Museu Militar de Bragança, criado em 1928 pelo comandante do Regimento de Infantaria nº 10, foi extinto em 1958 e reactivado em 1983. Está instalado no castelo de Bragança, na mais bela e elegante Torre de Menagem do país. O seu recheio tem um elevado valor histórico e cultural, tanto em antiguidade como em riqueza patrimonial. A nível nacional, é o segundo mais visitado.

Janela ogival, geminada e pedra de armas da casa de Avis. O gótico refinado sugere que a torre de Menagem foi habitada com um certo conforto e requinte.




Mortos na Grande Guerra
1914-1918, em França e na Campanha de Pacificação de Moçambique, em 1895/96, alvo da cobiça alemã, belga e inglesa.
valores militares com que me identifico e nos quais emocionalmente me revejo. O sentido do dever e o amor à Pátria são dois deles. Ser patriota é um acto de cidadania, é amar a terra de origem, é ter orgulho nas raízes transmontanas. Ser patriota sem ser nacionalista xenófobo faz parte da minha identidade, formada na escola primária do Estado Novo. Do livro da Terceira Classe guardo, aliás, na memória, a bonita lição sobre A Pátria.

Militares do distrito de Bragança falecidos na Guerra do Ultramar em Angola, Guiné e Moçambique, entre entre 1961-1975






Armamento do século XX . Artilharia
Prisão do Gungunhana, o Leão de Gaza Museu militar, Lx
Mouzinho de Albuquerque, em Chaimite, Moçambique, prende Gungunhana, suas sete mulheres, filho e tio. O régulo, espécie de rei ou chefe, detinha o segundo maior império nativo de África, ocupando mais de metade de Moçambique, parte do Zimbabué e da África do Sul.
A derrota de Chaimite, aldeia sagrada dos Angunes, é um marco na História de Moçambique. Foi a partir da subjugação ao poder colonial português que se formou a nação moçambicana, tal como hoje existe, integrada no mundo da lusofonia.
Chaimite também foi o nome dado pelos portugueses a um carro de combate usado contra os movimentos nacionalistas africanos, nas Guerras do Ultramar, entre 1961 e 1975. E, nova ironia da História, foi no uso dessas chaimites que os Capitães de Abril libertaram os portugueses, de 48 anos de regime ditatorial, e Moçambique, do colonialismo português.

Gungunhana, o Vencido

Gungunhana, foi trazido para Portugal como prisioneiro, tendo o Batalhão de Caçadores nº 3, sediado no castelo de Bragança participado nessa prisão. Graças a doações de militares, no Museu Militar de Bragança encontram-se expostos vários objectos alusivos ao régulo moçambicano, destacando-se a réplica das suas calças e camisa, além de diversos utensílios da arte indígena africana com fins votivos e defensivos.

Colecção de barretinas e de capacetes com predominância do séc. XIX e algumas do séc. XX.
Do espólio exposto fazem parte peças de armaria dos séculos XIV, XV, XVI, até ao armamento ligeiro dos séculos XVI ao XX. Algumas das peças estão interligadas com acções militares relevantes dos Bragançanos, nomeadamente por ocasião da Invasões Francesa, as Campanhas de 1895/96 em Moçambique e da 1ª Grande Guerra Mundial em 1917-1918.






Imagem em madeira de Santa Bárbara, do século XVII, padroeira da artilharia



A Torre de Menagem, de 33 metros de altura, foi mandada construir por D. João I, cerca de 1409, demorando 30 anos a ser construída.






Do terraço da Torre de Menagem pode desfrutar-se de uma vista deslumbrante da cidade de Bragança, de parte do Parque Natural de Montesinho e algumas serranias espanholas, muitas das vezes cobertas de neve.

Para a Bragança, o museu militar é património cultural de valor incalculável que enriquece a cidade. Só o espólio relacionado com as Campanhas de África constitui uma sólida ponte de união entre as culturas portuguesa e moçambicana, que a memória colectiva transmontana tem sabido preservar.
Para escrever sobre Gungunhana fiz uma pesquisa na Internet, tendo encontrado um sítio moçambicano que me abriu horizontes sobre o nosso passado comum. Não resisto a fazer a ligação a esse sítio – Moçambique para Todos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Testemunhas - A Branco e Preto

Exposição Fotográfica de Aníbal Gonçalves
Galeria de Exposições do Centro Cultural de Vila Flor
de 1 a 31 de Março de 2008



Durante a época pascal, passada em Trás-os-Montes, visitei, na sala multiusos do Centro Cultural de Chaves, uma exposição de pintura de jovens pintores galegos e transmontanos, e uma exposição fotográfica em Vila Flor.


Estas duas exposições, infra-estruturas e eventos culturais diversificados, levam-me a pensar que Trás-os-Montes está a mudar para melhor, sendo possível, hoje, em cidades e vilas da região, ter acesso a uma oferta variada de bens culturais que no passado eram apanágio das grandes cidades do litoral.

Aníbal Gonçalves é um professor do ensino básico e secundário dedicado a passatempos diversificados: canários, internet, ciclismo e fotografia. No seu blogue http://descobrir-vilaflor.blogspot.com/ tenho visto fotografias artísticas, tiradas à natureza e ao património construído.




Surpreendeu-me a temática da exposição, centrada na utilização decorativa do ferro em espaços públicos e imóveis particulares de Vila Flor, e o facto de as imagens expostas serem a branco e preto.

No primeiro dia de férias escolares desloquei-me de Oeiras a Vila Flor para ver a exposição, chegando pouco tempo antes de a galeria fechar.









A relação que tenho com a pintura e a fotografia é a de leigo sem qualquer conhecimento técnico. A apreciação, por isso, é baseada nas sensações que uma fotografia ou a pintura produzem em mim.









A arte do ferro é comparável a um rendilhado. Está patente nas fotos.











É de lamentar que a Câmara de Vila Flor não tenha disponibilizado verbas para o conjunto de fotos artísticas ter um enquadramento mais intimista.
Edifício da Câmara Municipal
O folar doce de Freixiel , feito por mão amiga, por altura da Páscoa, é especialmente saboroso, quando acompanhado pelo premiado moscatel Douro da cooperativa de Vila Flor.




Azêdas! Que saudades da infância!
Aqui está a minha foto preferida! Reconheci o local – a escadaria do Santuário de Vilas Boas. Gostei do enquadramento e da neblina pairando sobre a Ribeirinha.

A Outra. Parte a acção da telenovela da TVI é passada em Vila Flor, no solar da "família Pimentel" e na casa de personagem humilde.








Floração das amendoeiras a terminar.



segunda-feira, 31 de março de 2008

Museu do Comboio de Chaves

O comboio chegou a Chaves em 29 de Agosto de 1921. Em 1 de Janeiro de 1990 a CP desactivou o troço da Linha do Corgo, Vila Real-Chaves.



A Câmara Municipal de Chaves recuperou a antiga estação de comboio, o cais de mercadorias e a casa do chefe da estação e transformou-os em museu ferroviário, centro sociocultural e galeria de exposições. No espaço exterior fez um bonito arranjo paisagístico.
Locomotiva a vapor, E 41, fabricada em 1904. Foi adquirida para ser utilizada na construção da Linha do Corgo.
O museu ocupa as instalações da antiga cocheira da estação, terminus da Linha do Corgo

Objectos diversos são guardados no museu: bilheteira, bomba de incêndio, lanternas, balança, máquina de escrever …











Quadriciclo motorizado utilizado pelo pessoal superior da CP, aquando das inspecções à via. Foi fabricado na Alemanha no início da década de trinta do século XX.






Locomotiva a vapor, E-203, fabricada em 1911. Em 1927 fazia serviço na Linha do Corgo










Veículo para transporte de correio, construído em 1954.





Locomotiva a vapor, E 161, fabricada em 1905. Inaugurou o 1º troço da Linha do Corgo, entre a Régua e Vila Real, em Abril de 1906.
Mobiliário pertencente ao gabinete do chefe da estação de Chaves

Ex-cais de mercadorias transformado em espaço sociocultural do Instituto Português da Juventude e em galeria de exposições.
Exposição de jovens pintores galegos e trasmontanos.
Fachada da estação de Chaves


Antigo cais de embarque da estação feroviária e futura ecopista, à saída do túnel onde o comboio chegava a Chaves.

Entre Vila Pouca de Aguiar e Pedras Salgadas, num percurso de 6 Km, já funciona uma ciclovia. O projecto é prolongá-la até Vila Real, Chaves e Verin, na Galiza.