domingo, 29 de junho de 2008

Em Vila Pouca de Aguiar

Na Feira do Granito
In Vila Pouca de Aguiar, In the Granite Fair


A escultura em granito, em espaço público, com temas do património histórico e cultural da região, como a bela escultura dos garranos selvagens, reforça a ligação à natureza circundante e o papel de Vila Pouca de Aguiar como Capital do Granito.
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The sculpture in granite in public space, with themes of historical and cultural heritage of the region, as the beautiful sculpture of wild horses, reinforces the connection to the surrounding nature and role of Vila Pouca de Aguiar as the Granite Capital


Quando ia para Trás-os-Montes, na época em que ainda não havia IPs nem Auto-estradas, algumas vezes fui pelo Alvão até Vila Pouca de Aguiar.
Impressionava-me, nesse percurso, a vetustez da paisagem em tons de castanho ocre da terra, ornamentada de urzes, tojos, giestas, negrilhos e bogalheiros. O meu olhar fixava casas que se confundiam com a paisagem, e muros de granito que serviam de divisa aos lameiros. O imaginário povoava-se de antas megalíticas...
Nunca me esqueci de uma violenta trovoada de granizo quando, num dia de Verão, descia da serra para a vila. Em poucos minutos as pedras de granizo cobriram a estrada de branco deixando-a semelhante a um manto de neve.
Nesse tempo, entrar em Trás-os-Montes por Vila Pouca de Aguiar, era passar por um mar de pedras de granito e ouvir a voz do nume invisível ordenar-nos: “-Entre!” A gente entrava e sentia-se em casa, no Reino Maravilhoso!

Anta à entrada de Vila Pouca de Aguiar traduz a vontade de manter vivas, na memória do homem moderno, as raízes culturais herdadas do megalítico, e de lhes dar continuidade.
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The megalithic monument at the entrance of Vila Pouca de Aguiar reflects the desire to keep alive, in memory of modern man, the cultural roots, inherited from the megalithic, and to give them continuity.



Cristo Redentor Christ Redeemer
Sou uma pessoa sensível à espirtualidade, sendo raro, numa localidade visitada, não dar uma espreitadela a um lugar de culto religioso. Este altar de linhas sóbrias, numa feliz combinação da madeira com o granito, tocou o meu "ponto G" de comunhão com o Universo. Dentro do templo senti leveza e bem-estar.
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I am a person sensitive to spirituality. This altar of sober lines, a happy combination of wood with granite, touched my "point G" of communion with the Universe. Inside the temple felt lightness and well-being.

Torre Sineira: granítica, vetusta Bell tower: old, in granite



Espigueiro num espaço moderno, com funcionalidade decorativa. Em Vila Pouca o moderno e o tradicional não entram em choque. Na ausência de mamarrachos, até parece haver na vila uma mão invisível guiada pela estética e pelo bom gosto.

Espigueiro in a modern space, with decorative feature. In Vila Pouca de Aguiar the modern and traditional not go into shock. In the absence of mamarrachos - large buildings of poor quality - there seems to be in town an invisible hand, guided by aesthetics and good taste.






Nova funcionalidade para a graciosa ex-estação de comboio, salpicada de granito e ferro forjado. Onde antes eram o cais de embarque e a via férrea passam agora peões e carros.

New functionality for the graceful former train station, of granite and wrought iron. Where the Boarding wharf and the railroad were, are now pedestrians and cars.






Tradição de utilização do granito em edificios públicos foi mantida pelo Estado Novo na construção do mercado.

Tradition of use of granite in public buildings was maintained by the Estado Novo in the construction market


O granito – extracção, transformação e comercialização - é a maior riqueza de Vila Pouca de Aguiar, a pedra que faz girar a economia local. Em 2008 realizou-se na vila a 7ª Feira do Granito.

The granite - extraction, processing and marketing - is the greatest asset of Vila Pouca de Aguiar, the rock that is turning the local economy. In 2008 there was the 7th Fair of Granite.









Sobre o «baptismo» clicar AQUI para ler Carta de Leitor do Semanário Transmontano ao Presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar.
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First trip in a helicopter - open letter to the mayor of Vila Pouca de Aguiar




Imponente obra de arte em betão na A24 é o novo ex-libris da Capital do Granito. No belo Vale de Vila Pouca de Aguiar estes dois materiais formam um conjunto harmonioso, não agressivo da paisagem.
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The impressive work of art in concrete on the highway A24 is the new ex-libris of the Granite Capital. In the beautiful valley of Vila Pouca de Aguiar these two materials together form a harmonious, without damaging the landscape


domingo, 18 de maio de 2008

Museus, Pontes Entre Culturas

18 de Maio, Dia Internacional dos Museus



Casa do Careto de Podence, Macêdo de Cavaleiros


Lugar de fruição cultural e de encontro social, evocativo do Entrudo local.

Na Casa do Careto, aberta ao público em 2004, encontram-se telas da pintora Graça Morais e de Balbina Mendes, fotografias de António Pinto e Francisco Salgueiro, algumas publicações, os fatos, os chocalhos, as máscaras e toda a indumentária destas figuras enigmáticas.

Encontram-se ainda os únicos seres que os caretos respeitam nas suas tropelias, gritarias, chocalhadas: as marafonas!

Caretos de Podence, Graça Morais

Museu
Ibérico
da
Máscara e Traje

Bragança

Dedica-se às Festas de Carnaval e às Festas de Inverno das zonas do Douro e Montesinho (Tras-os-Montes) eàs Mascaradas de Inverno da Provìncia de Zamora (Espanha)





























Casa da Máscara, Lazarim (Lamego)

Museu Militar de Bragança

18 de Maio, Dia Internacional dos Museus

O interessante Museu Militar de Bragança, criado em 1928 pelo comandante do Regimento de Infantaria nº 10, foi extinto em 1958 e reactivado em 1983. Está instalado no castelo de Bragança, na mais bela e elegante Torre de Menagem do país. O seu recheio tem um elevado valor histórico e cultural, tanto em antiguidade como em riqueza patrimonial. A nível nacional, é o segundo mais visitado.

Janela ogival, geminada e pedra de armas da casa de Avis. O gótico refinado sugere que a torre de Menagem foi habitada com um certo conforto e requinte.




Mortos na Grande Guerra
1914-1918, em França e na Campanha de Pacificação de Moçambique, em 1895/96, alvo da cobiça alemã, belga e inglesa.
valores militares com que me identifico e nos quais emocionalmente me revejo. O sentido do dever e o amor à Pátria são dois deles. Ser patriota é um acto de cidadania, é amar a terra de origem, é ter orgulho nas raízes transmontanas. Ser patriota sem ser nacionalista xenófobo faz parte da minha identidade, formada na escola primária do Estado Novo. Do livro da Terceira Classe guardo, aliás, na memória, a bonita lição sobre A Pátria.

Militares do distrito de Bragança falecidos na Guerra do Ultramar em Angola, Guiné e Moçambique, entre entre 1961-1975






Armamento do século XX . Artilharia
Prisão do Gungunhana, o Leão de Gaza Museu militar, Lx
Mouzinho de Albuquerque, em Chaimite, Moçambique, prende Gungunhana, suas sete mulheres, filho e tio. O régulo, espécie de rei ou chefe, detinha o segundo maior império nativo de África, ocupando mais de metade de Moçambique, parte do Zimbabué e da África do Sul.
A derrota de Chaimite, aldeia sagrada dos Angunes, é um marco na História de Moçambique. Foi a partir da subjugação ao poder colonial português que se formou a nação moçambicana, tal como hoje existe, integrada no mundo da lusofonia.
Chaimite também foi o nome dado pelos portugueses a um carro de combate usado contra os movimentos nacionalistas africanos, nas Guerras do Ultramar, entre 1961 e 1975. E, nova ironia da História, foi no uso dessas chaimites que os Capitães de Abril libertaram os portugueses, de 48 anos de regime ditatorial, e Moçambique, do colonialismo português.

Gungunhana, o Vencido

Gungunhana, foi trazido para Portugal como prisioneiro, tendo o Batalhão de Caçadores nº 3, sediado no castelo de Bragança participado nessa prisão. Graças a doações de militares, no Museu Militar de Bragança encontram-se expostos vários objectos alusivos ao régulo moçambicano, destacando-se a réplica das suas calças e camisa, além de diversos utensílios da arte indígena africana com fins votivos e defensivos.

Colecção de barretinas e de capacetes com predominância do séc. XIX e algumas do séc. XX.
Do espólio exposto fazem parte peças de armaria dos séculos XIV, XV, XVI, até ao armamento ligeiro dos séculos XVI ao XX. Algumas das peças estão interligadas com acções militares relevantes dos Bragançanos, nomeadamente por ocasião da Invasões Francesa, as Campanhas de 1895/96 em Moçambique e da 1ª Grande Guerra Mundial em 1917-1918.






Imagem em madeira de Santa Bárbara, do século XVII, padroeira da artilharia



A Torre de Menagem, de 33 metros de altura, foi mandada construir por D. João I, cerca de 1409, demorando 30 anos a ser construída.






Do terraço da Torre de Menagem pode desfrutar-se de uma vista deslumbrante da cidade de Bragança, de parte do Parque Natural de Montesinho e algumas serranias espanholas, muitas das vezes cobertas de neve.

Para a Bragança, o museu militar é património cultural de valor incalculável que enriquece a cidade. Só o espólio relacionado com as Campanhas de África constitui uma sólida ponte de união entre as culturas portuguesa e moçambicana, que a memória colectiva transmontana tem sabido preservar.
Para escrever sobre Gungunhana fiz uma pesquisa na Internet, tendo encontrado um sítio moçambicano que me abriu horizontes sobre o nosso passado comum. Não resisto a fazer a ligação a esse sítio – Moçambique para Todos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Testemunhas - A Branco e Preto

Exposição Fotográfica de Aníbal Gonçalves
Galeria de Exposições do Centro Cultural de Vila Flor
de 1 a 31 de Março de 2008



Durante a época pascal, passada em Trás-os-Montes, visitei, na sala multiusos do Centro Cultural de Chaves, uma exposição de pintura de jovens pintores galegos e transmontanos, e uma exposição fotográfica em Vila Flor.


Estas duas exposições, infra-estruturas e eventos culturais diversificados, levam-me a pensar que Trás-os-Montes está a mudar para melhor, sendo possível, hoje, em cidades e vilas da região, ter acesso a uma oferta variada de bens culturais que no passado eram apanágio das grandes cidades do litoral.

Aníbal Gonçalves é um professor do ensino básico e secundário dedicado a passatempos diversificados: canários, internet, ciclismo e fotografia. No seu blogue http://descobrir-vilaflor.blogspot.com/ tenho visto fotografias artísticas, tiradas à natureza e ao património construído.




Surpreendeu-me a temática da exposição, centrada na utilização decorativa do ferro em espaços públicos e imóveis particulares de Vila Flor, e o facto de as imagens expostas serem a branco e preto.

No primeiro dia de férias escolares desloquei-me de Oeiras a Vila Flor para ver a exposição, chegando pouco tempo antes de a galeria fechar.









A relação que tenho com a pintura e a fotografia é a de leigo sem qualquer conhecimento técnico. A apreciação, por isso, é baseada nas sensações que uma fotografia ou a pintura produzem em mim.









A arte do ferro é comparável a um rendilhado. Está patente nas fotos.











É de lamentar que a Câmara de Vila Flor não tenha disponibilizado verbas para o conjunto de fotos artísticas ter um enquadramento mais intimista.
Edifício da Câmara Municipal
O folar doce de Freixiel , feito por mão amiga, por altura da Páscoa, é especialmente saboroso, quando acompanhado pelo premiado moscatel Douro da cooperativa de Vila Flor.




Azêdas! Que saudades da infância!
Aqui está a minha foto preferida! Reconheci o local – a escadaria do Santuário de Vilas Boas. Gostei do enquadramento e da neblina pairando sobre a Ribeirinha.

A Outra. Parte a acção da telenovela da TVI é passada em Vila Flor, no solar da "família Pimentel" e na casa de personagem humilde.








Floração das amendoeiras a terminar.