segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Por Terras de Vinhais na Neve
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Sabores Transmontanos III
O presunto era conhecido, de Norte a Sul do país, como Presunto de Chaves. A história é parecida com a do Vinho do Porto, vinho produzido no Alto Douro mas comercializado com o nome da cidade onde era exportado.
Montalegre, com a realização das feiras do fumeiro, sem Chaves dar por isso, conseguiu, para o presunto produzido na região do Alto Tâmega, o selo de certificação de origem com a designação de Presunto de Barroso. A origem geográfica é parcialmente a mesma do Presunto de Chaves; só que agora, bem vistas as coisas, está reposta a verdade histórica. Chaves, qual bela adormecida, vai ter que mexer bem os cordelinhos para assegurar a certificação com a denominação Presunto de Chaves! Os consumidores é que vão ficar sem percebr se há alguma diferença entre os presuntos de Chaves e de Barroso!
Confraria de ChavesChaves, com apoio da câmara, até já tem um grupo de confrades dispostos a fazer valer os pergaminhos da cidade! Na feira estava um grupo de senhores e senhoras, fardados, pertencentes à Confraria de Chaves, com o objectivo de divulgar a actividade da organização. No entanto fiquei desiludido com a confraria pois quando pedi que algum dos confrades me desse apoio para comprar um presunto de Chaves ninguém se achou com conhecimento suficiente para me ajudar na escolha.
Em Chaves há bom folar de carne o ano todo.

Batata de Trás-os-Montes na feira dos sabores.
Delicioso doce de batata feito pela Dona Conceição, de Travancas, a Capital da Batata.

As alheiras de Chaves podem não ser famosas como as de Mirandela mas são igualmente saborosas; na feira, o quilo delas custava menos 3€ que na de Montalegre.
Jovem produtora de fumeiro de Águas Frias.
A relação estreita com a Galiza pode ser capitalizada e servir a Chaves para marcar a diferença da feira do fumeiro flaviense com feiras similares transmontanas. Num processo de aculturação, Chaves pode incorporar na sua gastronomia elementos da cozinha galega!
Línguas-de-sogra galegas hiper-docinhas, a que dá prazer trincar!

Não é preciso ir a Lugo ou a Ourense petiscar “polvo à galega”. Agora basta vir a Chaves, à tasca do Rei do Polvo!

Ponte pedonal sobre o Tâmega, recentemente inaugurada
Quim Barreiros na Feira dos Sabores
Eu gosto de mamar no peito da cabritinha
Eu sou o mestre da culinária
Começou a chover quando Quim Barreiros aquecia, com sua música brejeira, os admiradores flavienses. Percebi que a chuva era de neve na serra e, por isso, tratei de me ir embora antes que a festa terminasse e a estrada para a aldeia ficasse intransitável. De facto não me enganei, a neve caía a partir da cota de 600 metros. Domingo de manhã estava tudo coberto de branco!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sabores Transmontanos II
Sábado, dia 31 de Janeiro de 2009, andei numa roda-viva! De manhã fui ao Festival de Sabores do Azeite, em Mirandela; à tarde estive na Feira da Caça, em Macedo de Cavaleiros; e à noite fui a Chaves, à Feira Sabores e Saberes.
Do IV Festival de Sabores do Azeite Novo, em Mirandela, não vi rasto. A quem perguntei onde era o “Mercado de Rua”, constante no programa do festival, ninguém me soube responder! Como também não dispunha de tempo para participar nos petiscos em Romeu nem no percurso pedestre de Vila Verdinho ...
... parti, pelo IP4, para Podence, onde a senhora da tasquinha da Casa do Careto me fez o almoço.
Depois de ter comprado umas máscaras de zinco fui para Macedo de Cavaleiros, situada a poucos quilómetros, no planalto das faldas da Serra de Bornes. À cidade, modernaça, sobeja em dinamismo o que lhe falta em história.
Sem indústrias, Macedo de Cavaleiros, para se desenvolver, tem apostado no turismo cinegético. Durante a XIII Feira da Caça e III Feira de Turismo, entre 29 de Janeiro e 01 de Fevereiro de 2009, teve lugar a II Copa Ibérica de Cetraria disputada nas modalidades de altos e baixos voos, com falcões e águias, respectivamente. Na Feira da Caça só vi as aves. No entanto já assisti a voos de exibição de aves de rapina em Chaves, na Feira Medieval de 2008.
Armas de caça, antigas e modernas ...
... a preço de feira!
Vários estabelecimentos comerciais de caça, pesca e vestuário fizeram-se representar na Feira da Caça e de Turismo. Como a relação entre o preço e a qualidade era bastante convidativa não resisti a comprar uns sapatos e umas bonitas e boas botas, quase iguais ao calçado que de manhã tinha ido levantar no Mercado Municipal de Mirandela, ao artesão a quem tinha feito a encomenda em Dezembro passado. Não sei o que me deu para comprar quatro pares de calçado em poucas horas! Mas não estou arrependido, já andava farto das vigarices da Timberland, nos últimos tempos a vender gato por lebre.
Tiro ao alvo com arco e besta.As centenas de caçadores que acorreram à Feira da Caça, para participar em actividades como a montaria ao javali e a Prova de Santo Huberto, na qual o desempenho dos caçadores é avaliado, fazem com que esta seja diferente, para melhor, de outras feiras de sabores e saberes.
Os caçadores, senhores educados e com elevado poder de compra, com seus inconfundíveis chapéus, vestuário característico e espírito de grupo, por onde circulam, imprimem uma aprazível atmosfera kitsch.

Hola Puebla de Sanabria!
Pedi a estes jovens espanhóis que vissem no meu blogue a foto que lhes tirei na feira. Espero que o façam. O queijo de cabra, o salpicão de veado e outras iguarias que lhes comprei souberam-me bem!
Como nas demais feiras de saberes e sabores, produtores de fumeiro marcaram uma forte presença.
Os enchidos são uma tentação!
Miniaturas de casas tradicionais transmontanas.
A Maior Sela do Mundo
Trás-os-Montes já tinha entrado no Guiness, o livro dos recordes, com o maior assador de castanhas e o maior pote de ferro do mundo. Agora tem também a maior sela, uma das atrações da feira da caça.
A colossal sela, dezenas de vezes maior que uma sela normal, mede 2,92 metros de comprimento e pesa 230 quilos. Foi feita por dois artesão de Torre de Dona Chama, vila com grandes tradiçoes de artesanato.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Sabores Transmontanos I
Durante o tempo que estive na aldeia, em Trás-os-Montes, coincidente com diversos nevões, como há muito não se via, em quantidade e intensidade, andei de feira em feira do fumeiro, aos fins-de-semana.
A primeira feira em que estive presente, a Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso, na sua XVIII edição, realizou-se de 22 a 25 de Janeiro de 2009.
Sábado, sob um frio intenso, prenunciador de queda de neve no Larouco, subi até às Terras de Barroso, tendo chegado a Montalegre a meio da tarde.
No interior do recinto da feira havia uma bem documentada exposição etnográfica de artefactos utilizados no meio rural da região barrosã até há algumas décadas atrás. As novas gerações e pessoas que tenha nascido e vivido no meio urbano ficam assim com uma boa ideia de como era a vida no campo.

O Pavilhão Multiusos, apesar de grandioso, em altura, está mal concebido e tem uma estética pouco acolhedora, dando origem a que os numerosos visitantes circulem sem desafogo por corredores estreitos, semelhantes a um labirinto.

Nunca tinha estado na Feira de Montalegre. Habituado a comprar bom fumeiro a produtores domésticos, surpreendeu-me o preço elevado do fumeiro praticado na feira, onde nem sequer há concorrência porque os preços de venda são previamente combinados entre a organização e os produtores.


A feira pode ser um bom negócio para quem produz mas não será o local mais adequado para o consumidor negociar preços mais adequados. Mas, apesar de alguma cautela, não resisti a fazer algumas compras.

A animação musical esteve representada por diversos grupos de gaiteiros. O som da gaita-de-foles, telúrico, a condizer com as cores da paisagem transmontana, encanta-me sempre!

Fiquei muito admirado com a quantidade de visitantes que deixavam a feira do fumeiro em autocarros lotados, vindos do Minho e do Douro Litoral. Penso que isso só é possível porque deve haver uma boa organização a “arrebanhar” turistas para a visitar. Nas feiras de Chaves, Vinhais e Macedo de Cavaleiros não vi nada igual!

Em Montalegre, além do fumeiro, também era fácil encontrar folar de carne e pão cozido em fornos de lenha. Apesar de não sofrer do pecado da gula, a tentação para me abastecer foi irresistível!

Gostei muito desta sopa que o rapaz da pêra me garantiu ser típica do Barroso!
Visitada a feira dirigi-me à Capital do Móvel onde, no dia seguinte, me esperavam outros afazeres!
domingo, 28 de dezembro de 2008
Bruma Matinal no Rio Tua

Sem nada urgente para fazer em Travancas, decidi ir ao Ferrado, no Domingo, dia 23 de Novembro. Tencionava deixar o carro na Longra, descer o Tua até à foz de Cabrões, subi-lo até ao Ferrado e regressar!
.


Deslumbrado com a paisagem ...



Finalmente, cheguei ao rio Tua! O cenário, uma ode ao Criador, de tão belo, parece um quadro surrealista, humanizado pela presença do homem.O rio brumoso e as folhas mortas, propícios ao recolhimento, eram palco da grande azáfama de mais de uma dezena de pescadores.

A visão do rio, emergindo das brumas, evoca em mim, por uma desconhecida associação de ideias, a marcha nupcial da ópera de Wagner. No enrêdo, Lohengrin, o misterioso cavaleiro do Santo Graal, chega, num barco puxado por um cisne, ao julgamento da sua futura esposa, na enevoada Brabante.

Agradou-me a parede pintada de azul, nesta casa tradicional de xisto, à entrada da Longra. Restaurada, ficaria bem bonita! Contudo, infelizmente, a recuperação de arabecos, sem apoio das câmaras municipais, sensibilizadas para a preservação do património, não está ao alcance de todas as bolsas.
Na outra margem, na Ribeirinha, avista-se uma azenha abandonada, marco da indústria de moagem local, vencida pela modernidade. Em Agosto, no dia 22, estive lá a fotografá-la. minutos antes de entrar no comboio que descarrilou na Brunheda. 















