segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Queima do Diabo

Destruição do mal

Após o desfile de caretos ibéricos, sábado, dia nove, em Bragança, procedeu-se à queima do diabo.
 
 
Diz a tradição que o diabo anda à solta nos três dias de carnaval. O diabo é o mal que está em nós, nas nossas condutas e pensamentos.
 
 
 Durante os dias que dura o entrudo, tudo é permitido. É por isso que no carnaval, festa da carne, ninguém leva a mal. Fecham-se os olhos aos interditos sociais nos outros dias do ano.
 

Os caretos, podem roubar chouriças, chocalhar as raparigas e emborrachar-se. Homens e mulheres, numa inversão dfe valores,  podem vestir-se com roupa do sexo oposto, sem que haja sanções. Os caretos, personagens endiabrados, personificam o lado mau que está em nós.
 
 

Por isso, em Podence e noutras aldeias transmontanas, a tradição manda que se queime o careto, antes da Quaresma, tempo de jejum, em que as cinzas representam a penitência   pelos  excessos cometidos durante o carnaval.  Em Vila Nova, Vila Real, queima-se o entrudo e faz-se o seu enterro. Muda o ritual mas a simbologia é a mesma.
 

Contudo, em Bragança e noutras localidades, queima-se o próprio diabo, para esconjurar o mal que ele representa. Ai de quem até ao próximo carnaval não agir em conformidade com as rigorosas normas sociais!
 

 

Carnaval de Bragança II

Desfile de caretos espanhóis
 
O  careto - tafarron  - com fato de croça, máscara preta e vermelha, cinturão, orelhas de lebre e bigode de pelos de cavalo, é a personificação do diabo, nas festas pagãs de inverno. A fita, no alto da cabeça, presa ao cabelo,  significava que podia entrar nas igrejas.

 
Chocalhos de diabos, usados na mascarada da "Vaquilla" em Palacios de Pan, Zamora.
 

Guapa diaba
 
 
 
 
 
 
 Gaiteiro de Ferrera de Arriba, Zamora
 
 
Careto e matrafona, da aldeia de Pazuelo de Tábara, Zamora.  Estavam encarregues de fazer o peditório, para a festa de Santo Estevão, em 26 de dezembro, coincidente com as festas do solestício pagão. A esmola era dada em comida e quem não cumprisse com o óbulo era castigado.
 
 
"El atenazador de San Vicente de la Cabeza". Corre, com as tenazes, atrás da moças. A máscara é de sobreiro.


Os músicos de San Vicente de la Cabeza acompanham o cortejo pelas ruas da aldeia, tocando músicas tradicionais.
 
 
Os noivos de SanVicente de la Cabeza.


Homem, com capa de pastor, desfila com a cabeça da vaquinha aos ombros.
 

A "Novilha e os Chocalhos", da aldeia de Palacios del Pan, Zamora. 
 
 
Na mascarada, os diabos vestem  fatos feitos de sacos de lã, máscaras...
 
 
Carochos ou diabos, de Riofrio de Aliste, Zamora.
 

 
 
A  "Vaquilla"  de Palacios  del Pan é uma novilha brava que nas festas corre atrás dos rapazes. Antigamente corria atrás das moças para as cornear, fertilizar, em sentido simbólico, com a ajuda de um ganhão.
 
 
 
 
 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval de Bragança I

Desfile de caretos ibéricos
 
Diabo  castelhano,  dos "Carochos de Riofrio de Aliste".
 
 
Diabo transmontano, de Vinhais, "uma terra dos diabos"! 
 

Mulheres vestidas de caretos.
A quanto não obriga a falta de homens! Mas elas gostam da brincadeira!
 
 
Porta-estandarte de Grijó da Parada, aldeia de Bragança. Apesar de no desfile estarem presentes caretos de várias aldeias do distrito de Bragança, a ausência dos Caretos de Podence, os mais famosos e mediáticos, não passou despercerbida.


 
 
 
Por trás da ausência de Podence advinha-se uma rivalidade entre a capital do distrito, ciosa de ganhar protagonismo, com o emergente Carnaval dos Caretos, e a aldeia de Macedo de Cavaleiros, saída do anonimato graças ao pioneirismo do Entrudo Chocalheiro.
 

Diabos de Vale de Porco, Mogadouro.
 

Grupo de Caretos de Salsas, aldeia do concelho de Bragança.
 



Velho Chocalheiro de Vale de Porco, Mogadouro. Não confundir a aldeia com Vale da Porca, em Macedo de Cavaleiros e terra natal  Roberto Leal.


 
 

Vinhais, uma terra dos diabos, mandou ao desfile dos caretos uma grande representação de demos e da morte, publicitando  a festa "os diabos e o rosto da morte", dia 16 de fevereiro, em Vinhais.





Caretos de Ousilhão puxando carroça com o pipo. Ou serão caretos de Vila Boa de Ousilhão? Os de Vila Boa não gostam de confusões! Ousilhão  festeja o Entrudo no dia de Santo Estevão, a 26 de dezembro! Vila Boa festeja-o na época do carnaval!
 
 
Em Bragança, a censura saiu à rua, juntamente com o diabo e a morte.  A cidade está a rescriar uma tradição que se havia perdido nas últimas décadas do século XX.
 
 
 


 
 
 
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Fumeiro de Vinhais

Porco bísaro, o rei
Feira, de 8 a 10 de fevereiro de 2013

Vinhais, Capital do fumeiro, organizou mais uma feira anual, vocacionada para os enchidos de porco bísaro. Há, no entanto, uma feira paralela destinada aos "gourmands" ; um concurso para criadores de reco de raça bísara e chegas, além de música, caretos e muita animação. 
 

Tendo passado o sábado em Bragança, para ver o desfile dos caretos ibéricos, a minha passagem pela feira do fumeiro foi rápida; suficiente, no entanto, para comprar queijos, um presunto,  licor de cereja e jantar  de grelos com chouriça e batatass cozidas. Muito bem me soube! O pudim de castanha estava delicioso. Só é pena que os restaurantes de Chaves e de outras localidades não apostem numa sobremesa com um produto típico da região.
 

Para o ano há mais Feira do Fumeiro de Vinhais, a meu ver a melhor de todas que conheço, sem desprimor para com as demais.
 
 
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Chez Tony Campos

Casa de pasto retro, sopra velas
 
Tinha a postagem guardada, para publicação, após almoçar no Tony Campos, quando tivesse ido ver as amendoeiras floridas.  Ícone de Vila flor, é a mais antiga casa de pasto do concelho, com 107 anos.


Mas, a notícia avançada pelo Cantinho do Jorge, de que o emblemático restaurante comemorou no dia 2 de fevereiro, o 38º aniversário da sua remodelação, leva-me a publicá-la, agora, a tempo de me associar aos parabéns, dados ao proprietário, pelos amigos.
 
 

Deste restaurante, de ambiente retro, onde jantei uma vez, guardo uma imagem positiva. Nele, impressionou-me o tradicionalismo, de que é exemplo a manifestação de religiosidade do dono, que não hesita em ter à mostra, num espaço público, a sagrada família, cujo nicho percorre a vila, de casa em casa. Em simbiose, lar e restaurante formam um único espaço!
 

As paredes, forradas de quadros, diplomas, homenagens e fotografias de personalidades que passaram pelo restaurante, incluindo presidentes da república, atraem a atenção de clientes anónimos que estão de passagem.



Demonstração da preferência clubística.


Mas os galardões do restaurante não seriam merecidos se a confeção dos pratos não tivesse qualidade caseira, e o atendimento familiar não fosse feito com cortesia e profissionalismo.

Houve pormenores que me fizeram retroceder no tempo. Foi o caso de uma bela terrina de louça, de servir a sopa, a fazer lembrar a pompa de banquetes, nas Casas Grandes de antanho. Este aprimorado gosto, de associar sobriedade e preservação de tradições com a arte de bem servir, não se vê nos restaurantes convertidos ao pronto-a-comer.


Tenho uma certa curiosidade em voltar a sentar-me à mesa, Chez Tony!