terça-feira, 5 de março de 2013

Acácia Mimosa em Flor

Árvore sagrada na antiguidade

Acácia, em grego, akakia, significa inocência ou pureza. Além de ser símbolo da iniciação para uma vida nova, simboliza a imortalidade da alma.
 
 
Encontrei inúmeras destas árvores há dias, na estrada que leva a Mirandela, quando procurava amendoeiras em flor. A beleza das mimosas floridas prenunciava a chegada da primavera.
 
 
Na antiguidade, a acácia era considerada o símbolo do sol, tanto pelas suas folhas, que ao amanhecer se abrem à luz solar, como pelas suas flores, em forma de bolas de ouro.
 
 
  
No Egito dos faraós,  a madeira das acácias, pela sua dureza e incorruptibilidade, não sofrendo ataque de insetos, era usada para a produção de sarcófagos e artigos sagrados. A cola dos ramos e tronco, conhecida pelo nome de goma-arábica, era usada nas cerimónias de mumificação.
 
 
Entre os judeus, a acácia ou madeira de setim, como refere a Bíblia, tinha usos sagrados, antes de ser substituída pelo cedro e pelo cipreste. Foi com a sua madeira, por ser resistente à putrefação, provocada pela humidade, que os hebreus fizeram o Tabernáculo, a Arca da Aliança, a mesa dos pães propiciais e o altar dos holocaustos.
 
 
 
De acordo com uma tradição iniciática, a acácia está associada à lenda de  Hiram Abif, arquiteto do Templo de Salomão, assassinado por três companheiros. Uma das versões da lenda diz que a acácia simboliza a ressurreição do mestre, porque do seu corpo, enterrado no Monte Moriah, brotou um ramo dessa planta.
 
 
 
Outra lenda, no cristianismo, diz que a madeira de acácia foi usada na confeção da cruz em que Jesus foi executado. Especula-se que a coroa de espinhos seria feita de um ramo de acácia do Egito, variedade espinhosa.
 
 

Há centenas de variedades de acácias em todo o mundo. A que se encontra espalhada por Trás-os-Montes, na Terra Quente, em particular, é a acácia dealbata ou mimosa.
 
 
 
Para terminar...
 
Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela 
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem
                                              Luís Gonzaga, Rei do Baião
 
 
 
 
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Nevada na Terra Fria Raiana

Cobre de branco Planalto da Bulideira

As aldeias da raia, Travancas e Argemil, situadas à cota de 850 a 900 metros, no Planalto da Bulideira, concelho de Chaves, estão há  três dias cobertas de branco,  devido ao nevão do dia 27 de fevereiro.
 
 
Imagens de Travancas 
 
Na véspera do Carnaval tinha havido outra grande nevada mas a neve acumulada não chegou a ser tão espessa porque a temperatura não permaneceu baixa como desta vez.
 

Taça de neve


Estendal
 
 
Embora o clima esteja a mudar, as nevadas, nestas terras altas da raia transmontana, aparecem com alguma frequência, entre novembro e abril.
 
 
São Bartolomeu, padroeiro da aldeia.
 
 
 

 
 
 
 
Alguns moradores, mal parou de nevar, começaram a retirar a neve da entrada de casa ou da garagem.
 
 
Azevinho
 
 
Rua do Sol - Caminho do contrabando.
 


 

De Travancas a Argemil
 
 
Imagens de Argemil
 
 

A estrada corta Argemil ao meio. Do lado esquerdo fica o bairro das Poulinhas, onde os moradores, em terrenos baldios, construiram as suas novas casas.  Do lado direito fica  o núcleo histórico da aldeia, com  lindas casas de granito a  precisarem de restauro.


Casas garridas no Bairro das Poulinhas.


 
 
 



 

Capela do Senhor do Socorro, entre Argemil e Travancas.


Entrada de Travancas à vinda de Chaves.
As aldeias não chegaram a ficar totalmente isoladas porque os tratores vão fazendo algum trabalho de limpeza da neve. O pior foi na manhã do dia seguinte com a acumulação de gelo na estrada, devido às temperaturas negativas  durangte a noite.



Limpa-neves chegou ao fim do dia.


O dia de grande nevada terminou com o sol a brilhar.
 
 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Feira da Alheira

Na Princesa do Tua

Durante dois fins-de-semana, a Câmara Municipal de Mirandela promove uma feira gastronómica em que a alheira é rainha.  O próximo  cai nos dias dois e três de março de 2013.

 
Fazendo jus à designação de Mirandela, "Cidade das Flores", o espaço envolvente à feira foi decorado com carretas de flores. 
 

A "Alheira de Mirandela", ex-libris da cidade, é o cartão de visita que leva o nome da cidade a todo o país.   Além da tradicional alheira, feita com entremeada de porco, couracha e galinha,  e da "alheira de caça", a oferta estende-se agora à "alheira de bacalhau", a 7,50 € o quilo.
 


A Alheira de Mirandela, a pretexto, talvez, de  ter sido eleita uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, é vendida a oito euros,  mais cara que a alheira artesanal, de excelente qualidade, mas sem selo de certificação.  
 
Esta medida pode ser um bom negócio para quem produz mas não, necessariamente, para quem consome. O mesmo produto tem preço diferente, com selo ou sem ele. Ser mais caro nem sempre é   sinónimo de qualidade superior!



Além da alheira, o consumidor encontra todo o tipo de fumeiro nas barracas instaladas nos três pavilhões do Parque do Império.
 

Queijos, queijos, queijos... de cabra, de ovelha, de vaca, de mistura.  É impossível aos gourmands não provarem os saborosos petiscos das queijarias Vaz, do Navalho, e da Escola Agrícola de Carvalhais.
 

A padaria Avô Moleiro apresentou-se com uma variada gama de pães. Porque é que as padarias de Oeiras, um dos concelhos com maior poder de compra do país, priviligiam o consumo da carcaça ? Apetece dizer, Avô Moleiro, para Oeiras!
 

Doce tentação! 
 

Folar doce, com delicioso sabor a aguardente.


 Tapeçaria tradicional.
 
 
Livros comprados na Feira da Alheira
 

 OS TEIXEIRA LOPES. O título do livro despertou-me a atenção porque  uma tia de Abreiro, já falecida, falava-me dessa família, "muito nossa amiga", dizendo que o pintor Armindo Teixeira Lopes era "nosso parente", por parte de um avô paterno. O enigma, contudo, permanece.
 
Quem é o Alfaiate de Mirandela? A menina do stand da Câmara apenas me soube dizer  que o homem tinha sido preso pela PIDE.  Joaquim Natal Figueiredo, 1919-1986, além de ser comunista,  era tio da esposa do Dr. José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela. A biografia, escrita por Albano Viseu, doutorado em História, é uma homenagem da família ao mirandelense anti-fascista.   
  

Princesa do Tua
 
 
Mirandela, Cidade florida 

Valeu a pena deslocar-me a Mirandela, à Feira da Alheira e ao convívio com amigos.  Ó Mirandela, quem te viu há-de voltar!