Igreja de Nossa Senhora da Azinheira
Quando o norte da França e a Alemanha já estavam na Era das Catedrais Góticas, em Trás-os-Montes, o poder religioso, com sede em Braga, continuava a mandar construir igrejas românicas simples, de uma só nave, como a de Nossa Senhora da Azinheira, em Outeiro Seco.
A primeira referência a esta igreja, na qual casavam, em meados do século XX, "as meninas finas" de Chaves, aparece num documento de 1235. Conjetura-se, no entanto, sem provas, que a construção seja anterior.
Fachada principal
"Com um pórtico, de volta inteira, de duas arquivoltas ornamentadas, assentes em impostas sobre dois pares de colunas com capitéis de decoração vegetalista, antropomórfica e zoomórfica".
As obras de restauro, na década de trinta do século XX, além de removerem o campanário e a galilé - acrescento feito no século XVIIII - rematando a fachada principal por empena simples, fizeram outras alterações.
No conjunto, essas alterações, feitas com o objetivo de aproximar a igreja da Senhora da Azinheira com a estrutura que teria na Idade Média, alteraram a sua tipologia, deixando-a sem torre sineira, tal como à igreja românica de São João Batista, em Cimo de Vila da Castanheira.
"As paredes interiores conservam algumas pinturas a fresco dos séculos XV-XVI e dois retábulos de talha policroma de estilo rococó".
Houve frescos, afetados pela humidade, que foram removidos da capela-mor e das paredes laterais para serem restaurados pelo Instituto José Figueiredo, em Lisboa, onde estão depositados alguns deles. Os outros encontram-se no Museu Nacional Soares dos Reis, do Porto e no Museu Regional Alberto Sampaio, em Guimarães.
A igreja da Senhora da Azinheira está incluída num projeto transfronteiriço de restauro de 33 igrejas românicas de Zamora, Salamanca, Porto, Bragança e Vila Real. Em Trás-os-Montes, no projeto, estão contempladas cinco igrejas do distrito de Bragança e sete de Vila Real.
O
Projeto Românico Atlântico, cujo protocolo foi assinado em 23 de setembro de 2010, é financado pela Iberdrola, empresa de eletrecidade espanhola que tem barragens adjudicadas no rio Tâmega e a cuja construção se opõem os movimentos ecologistas.
"A capela-mor apresenta no topo uma fresta que exteriormente tem um arco de volta quebrada, com ornamentações de bolas, assente sobre duas colunas de capitéis, um decorado com folhagens e o outro com motivo zoomórfico".
"Toda a igreja, e a sacristia, é percorrida por cachorrada com representações faciais humanas, animais e bolas".
Nos anos 60 do século XX foi criada uma zona de proteção entre o adro e o cemitério, anexo à igreja. Propriedade do Estado e classificada com Imóvel de Interesse Público, a igreja da Senhora da Azinheira tem função religiosa e turística. Resta saber se com o atual restauro dos frescos que não foram retirados, se regressam aqueles que foram removidos há decadas.
Para terminar, fica uma pergunta. Onde páram as onze tampas sepulcrais, incluindo uma com a cruz dos Pereiras, datável do século XIV, retiradas na década de trinta, do pavimento da igreja?