quinta-feira, 21 de março de 2013

Bem-vinda Primavera

Chegada no equinócio

A data de 21 de março marca, no hemisfério norte, a chegada da primavera. Neste dia os raios solares estão exatamente perpendiculares à linha do equador, iluminando igualmente os dois hemisférios.
 

A seguir, até ao solestício de verão, em 24 de junho,  os dias vão crescer e as noites diminuir. Só duas vezes por ano, hoje e no equinócio de outono, os períodos escuro e claro voltam a ter a mesma duração.
 
 
 Primavera na Terra Fria transmontana
 
Tempo de enxertias
Ovídeo, enxertador de Dadim, atraído por forças telúricas, regressou às suas origens, trocando o mundo urbano da capital pelo bucolismo transmontano.
 
 
No calendário solar, o equinócio da primavera marca o renascimento da vida, o despertar da natureza do seu recolhimento hibernal.
 
 
Nas antigas religiões, e para os neo-pagãos, adeptos de Wicca, o equinócio da primavera é uma data solar dedicada à vida, à procriação, à prosperidade, à fertilidade e à alegria.


Flor de nogueira
 

Também os cristãos celebram o renascimento da vida, na Páscoa 
 
 

 Lilases
 

 Pedras Salgadas
 
 
 
 
 Primavera na Terra Quente
 
 
Na Terra Quente e vales dos afluentes do Douro, a primavera chega em fevereiro, antes do equinócio,  com a floração das amendoeiras.
 



Em março, abril e maio os campos floridos cheiram  a perfume primaveril.








segunda-feira, 18 de março de 2013

Chaves na Rota do Românico

Igreja de Nossa Senhora da Azinheira

Quando o norte da França e a Alemanha já estavam na Era  das Catedrais Góticas, em Trás-os-Montes,  o poder religioso, com sede em Braga, continuava a  mandar construir  igrejas românicas simples, de uma só nave, como a de Nossa Senhora da Azinheira, em Outeiro Seco.
 
 
 
A primeira referência  a esta igreja, na qual casavam, em meados do século XX, "as meninas finas" de Chaves, aparece num documento de 1235. Conjetura-se, no entanto, sem provas, que a construção seja anterior.
 
 
 
 Fachada principal
"Com um pórtico, de volta inteira, de duas arquivoltas ornamentadas, assentes em impostas sobre dois pares de colunas com capitéis  de decoração vegetalista, antropomórfica e zoomórfica".
 
 
 
Foto da década de 1920, picada do blogue Chaves Antiga
 
Foto de 1936, picada do blogue Chaves Antiga
 
As obras de restauro, na década de trinta do século XX, além de removerem o campanário e a galilé - acrescento feito no século XVIIII  - rematando a fachada principal por empena simples, fizeram outras alterações.


Foto de 1936 picada do blogue Outeiro Seco
 
No conjunto,  essas alterações, feitas com o objetivo de aproximar a  igreja da Senhora da Azinheira com a estrutura que teria na Idade Média, alteraram a sua tipologia, deixando-a sem torre sineira, tal como à igreja românica de São João Batista, em Cimo de Vila da Castanheira.
 
 
"As paredes interiores conservam algumas pinturas a fresco dos séculos XV-XVI e dois retábulos de  talha policroma de estilo rococó".
 
Houve frescos, afetados pela humidade, que foram removidos da capela-mor e das paredes laterais para serem restaurados pelo Instituto José Figueiredo, em Lisboa, onde estão depositados alguns deles. Os outros encontram-se no Museu Nacional Soares dos Reis, do Porto e no Museu Regional Alberto Sampaio, em Guimarães.
 
 
 
A igreja da Senhora da Azinheira está incluída num projeto transfronteiriço de restauro de 33 igrejas românicas de Zamora, Salamanca, Porto, Bragança e Vila Real. Em Trás-os-Montes, no projeto, estão contempladas cinco igrejas do distrito de Bragança e sete de Vila Real.
 
O Projeto Românico Atlântico,  cujo protocolo foi assinado em 23 de setembro de 2010, é financado pela Iberdrola, empresa de eletrecidade espanhola que tem barragens adjudicadas no rio Tâmega e a cuja construção se opõem os movimentos ecologistas.
 
 
 
"A capela-mor apresenta no topo uma fresta que exteriormente tem um arco de volta quebrada, com ornamentações de bolas, assente sobre duas colunas de capitéis, um decorado com folhagens e o outro com motivo zoomórfico".



"Toda a igreja, e a sacristia, é percorrida por cachorrada com representações faciais humanas, animais e bolas".
 
 
 
 
Nos anos 60 do século XX foi criada uma zona de proteção entre o adro e o cemitério, anexo à igreja. Propriedade do Estado e classificada com Imóvel de Interesse Público, a igreja da Senhora da Azinheira tem função religiosa e turística.  Resta saber se com o atual restauro dos frescos que não foram retirados, se regressam aqueles que foram removidos há decadas.
 
 
 
Para terminar, fica uma pergunta. Onde páram as onze tampas sepulcrais, incluindo uma com a cruz dos Pereiras, datável do século XIV, retiradas na década de trinta, do pavimento da igreja?
 
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Amendoeiras Floridas

A Rota de Mirandela

No última semana de fevereiro, depois de uma tentativa frustante de fotografar amendoeiras em floração no Vale da Vilariça, Torre de Moncorvo e  Vila Flor, por falta de matéria-prima, o amigo em casa de quem passei o fim-de-semana, em Mirandela, recomendou-me  ir até Avidagos, à descoberta das amendoeiras.
 

Assim fizémos. O caminho, saindo de Mirandela pela N15, é panorâmico, tornado ainda mais atrativo com as amendoeiras em flor. As fotos foram tiradas entre Passos, Lamas de Orelhão, Franco, Pereira e Avidagos.
 
 
Capela à entrada do caminho para a aldeia de Pereira.
 
 
Nesta zona planáltica,  principalmente no trajeto entre Franco e Avidagos, a bonita estrada é bordejada de amendoais, a perderem-se de vista até ao sopé da Serra de Valpaços, vinhedos de Murça, terras de Ansiães e Serra de Bornes.

 
Em dia ensolarado,  o tratorista sai para o campo, para lavrar as terras.
 


Antigamente, na primavera, estes campos cobriam-se de verdejantes searas de centeio, tornados cor de ouro, no tórrido verão da Terra Quente.


Mas, subsídios comunitários substituiram culturas cerealíferas por amendoais, olivais e outras culturas arvenses.
 
 
 
Adubando o amendoal.
Como se vê, pelos tubos de rega, o amendoal deixou de ser uma cultura de sequeiro. O objetivo do investimento é que cada árvore produza maior quantidade de frutos e o miolo da amêndoa seja de maior dimensão.
 
 
 Cor e bucolismo
 
O pastor, além de cinco cães e do cajado com que todos andam, segura na mão um rádio, onde vai ouvindo o noticiário e a Joana cantarolar o  Cacetete da mulher  polícia.
 
 
Cão de gado transmontano a orientar ovinos e caprinos na travessia da estrada. Não é que os animais obedecem?
 
 
 
Beleza e perfume das amendoeiras da Terra Quente.
 
 
A Rota de Mirandela, das amendoeiras floridas, é uma excelente alternativa aos clássicos circuitos que englobam os concelhos das duas margens do Alto Douro.
 

Percurso proposto:
Mirandela - Passos - Lamas de Orelhão - Avidagos - Navalho - Carvalhal - Barcel - Fonte da Urze - Mirandela ou vice-versa.  Um percurso maior pode incluir Abreiro, Vilas Boas e Cachão.
 

Paisagens magníficas


Amendoeiras por todo o lado
 

 Amendoeira de floração temporã.


Por  causa das pétalas cor-de-rosa, estas flores de amendoeira, por vezes, são confundidas com flores de pessegueiro!
   
 
Que variedade frutifica nas flores? Será a molar, a amêndoa que mais facilmente se parte com os dentes?
 

 Variedade tardia de amendoeiras, ainda por florir.
 

Tradicional imagem de amendoeiras de pétalas brancas. Ao cairem formam um tapete de brancura, a que chamaram neve do Algarve, quando a região as tinha. Neve de pétalas brancas, agora, só no Alto Douro e na Terra Quente!
 
 
Depois de uma aprazível manhã a passear por entre amendoeiras em floração, regressei, feliz, a Mirandela, onde me esperava um suculento cozido feito pela Dona Lurdes.
 

Mirandela não é só terra das alheiras! Campanhas de marketing podem transformar o concelho na nova coqueluche das amendoeiras em flor!
 
 
Capela em Pereira