sexta-feira, 5 de abril de 2013

A Maior Igreja Transmontana

Catedral que não chegou a ser
 
Monumentalidade
O maior templo religioso de Trás-os-Montes e Alto-Douro, obra maneirista do século XVI, não fica em Vila Real ou Bragança mas em Torre de Moncorvo, tendo levado mais de um século a ser construído.
 
 

Pináculos, contrafortes, robustez  e alpendre abobadado da igreja dedicada a Nossa Senhora da Assunção.

 

Com a igreja assente numa encosta, houve necessidade de nivelar o adro, delimitando-o por um muro, rematado por pináculos.
 

 
A impressionante dimensão da igreja matriz, construída para ser Sé, é explicada pelo facto de Moncorvo, florescente centro de desenvolvimento, ser sede da maior comarca do reino e de o poder municipal, principal financiador da obra, aspirar sediar a primeira diocese a ser criada em Trás-os-Montes. Em 1545, a escolha recaiu, no entanto, sobre Miranda do Douro.
 
 
 
No topo da torre quadrangular, de 30 metros de altura, corre uma balaustrada com pináculos esféricos. No beirado do telhado, destaque para as gárgulas representando figuras humanas e de animalescas.
 
 
  
A parte superior da torre sineira é aberta por duas varandas com grades de ferro, acima das quais se rasgam as janelas dos sinos e está colocado um relógio.
 
 

"Janela em arco, ladeada por dois óculos e enquadrada por um pórtico terminado por frontão triangular".
 


Colocadas em nichos barrocos, entre colunas coríntias, as imagens em granito, da padroeira, Nossa Senhora da Assunção, ladeada por São Pedro e por São Paulo.
  
 
 
Pórtico retabular maneirista, de arco pleno, ladeado pelas imagens de Santa Bárbara e Santa Apolónia, em nichos, entre dois pares de colunas com fustes canelados e capitéis coríntios.
 
 
 
Santa Bárbara, protetora contra as trovoadas, segurando a torre onde o pai a fechou.
  


Ex-libris de Torre de Moncorvo, antiga povoação de Santa Cruz da Vilariça.
  
 
Não se conhece o autor da traça da igreja, apenas a referência do mestre pedreiro João Martins que, em 1559, acompanhava a obra. A construção terá sido iniciada por volta de 151O, de acordo com um testemunho quinhentista, erguendo-se, já então, extra-muros, no arrabalde da vila e no lugar da igreja medieval de Santa Maria. A obra arrastou-se por mais de um século, trabalhando-se ainda em 1638 no estaleiro da grande fábrica.
 
 
 
A igreja matriz de Torre de Moncorvo está classificada como Monumento Nacional desde 1910. Embora seja propriedade do Estado, está aberta ao culto, de acordo com a Concordata assinada entre o Vaticano e Portugal.
  

 

sábado, 30 de março de 2013

Derbi Transmontano

1 x 1

Hoje fui à bola, a São Sebastião, ao estádio do Sport Clube de Mirandela, para ver o jogo do ano entre os dois melhores clubes transmontanos da temporada.



Tudo começou com um telefonema, para Chaves,  de um amigo, residente em Mirandela, a convidar-me para uma feijoada e para irmos ver o duelo entre os dois melhores classificados da segunda divisão de futebol da Zona Norte.
 


Fomos cedo. Connosco também foi o Gudi, neto do meu amigo que joga nos infantis do Sporting.
 
 
Os adeptos do Desportivo eram os mais organizados e ruidosos, Na primeira parte, puxando pela equipa, gritavam:
Cháaaaaavesss!
Cháaaaaavesss!
 
 
 
O estádio de São Sebastião, com capacidade para 5.000 espectadores, estava completamente cheio.
 
 
 


Só de Chaves vieram 10 camionetas fretadas pelo clube azul-grená. Além do transporte, o Desportivo ofereceu 700 bilhetes aos adeptos, com a intenção de invadir a Cidade Jardim, de "valentes transmontanos".
 
 


 
Adepto camaleão do Mirandela.  Hoje à benfiquista, mas na semana seguinte já tanto pode estar vestido à portista como à sportinguista.
 

 

Concentração, energia positiva!






Aquecimento
 

 

Gooooloooo.... do Chaves, na sequência de grande penalidade.
 

Sentado na bancada dos sócios do Mirandela, equipado com as cores do Desportivo, estava à espera de ouvir "bocas" quando, entusiasmado, levantei o cachecol. Porém, agradavelmente, surpreendido, não senti qualquer manifestação de agressividade. 
 

Jogador do Desportivo a ser retirado do relvado.
 
 
No intervalo, a tasca da "torcida" alvinegra.
 
 
Quadro dos presidentes do clube de São Sebastião, fundado em 1926.
 
 
Golo do Mirandela! De penalti, também. 


Adeptos do Mirandela a comemorar o golo.
O empate não retira ao Mirandela a possibilidade, real, de subir de divisão mas mantem o Chaves a cinco pontos do primeiro classificado, praticamente sem hipótese de subir para a Liga de Honra.
 
 
 
Dois cartões vermelhos!




Expulsão de  Rui Raínho, defesa esquerdo do Chaves


 

E do avançado brasileiro, Leandro, que veste a camisola número 9, do clube  de Mirandela!




 
 Da próxima vez levas um amarelo!
 
 

Mas o jogo terminou pacificamente, tanto no revaldo como nas bancadas do estádio de São Sebastião. Apesar do magro resultado, para as aspirações do Desportivo de Chaves, foi uma tarde bem passada na Princesa do Tua!
 
 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Festa do Folar em Valpaços

Saberes e sabores valpacenses

Durante três dias,  de 22 a 24 de março, a Capital do Folar voltou a estar em festa, para a XV edição da  feira. Participar nesta festa é já um hábito.
 

Outras vilas e cidades transmontanas organizam feiras do fumeiro; Valpaços tem a do folar,  todos os anos, no fim-de-semana que coincide com Domingo de Ramos.
 
 
O folar transmontano é feito com carne de fumeiro. Em todos os stands o folar era vendido a 10 euros o quilograma. Concertação de preços? 
 

Em todos as tendas se dava a provar o rei da festa, o folar de carne, especialidade transmontana.
 

Antigamente, quando cada família cozinhava o próprio pão, para vários dias, era costume colocar os centeios numa tarandeira para os resguardar dos ratos.
 
 
Há sempre tendas enfeitadas com louceiros, em que não falta o jornal picotado, como era costume.
 

Dizer qual a padaria ou artesão que faz melhor folar é subjetivo, sobretudo quando não se conhece o produto de todos os  expositores. No entanto, não resisto a mencioar a excelente qualidade dos folares das padarias Fontoura e Moutinho, ambas de Argeriz, concelho de Valpaços. Só uma destas padarias passou fatura sem ser solicitada!
 
  

Fumeiro de Valpaços.A Feira é do folar e de outros saberes  e sabores.
 
 
A animação, no pavilhão ou em palco, na zona de restaurantes, foi uma constante no domingo, com a atuação de grupos musicais e ranchos folclóricos.
 

A menina do Futsal de Valpaços. 


Galeria de arte.
Este ano foram expostos trabalhos de alunos da universidade senior.  Gostei da candeia acesa e do Viaduto das Presas, no Rio Tua.
 

Bailarina do rancho folclórico de Sonim, concelho de Valpaços



 Rapazes de Carrazedo de Montenegro em traje domingueiro.
 

Cesta com ramo  de oliveira  e alecrim
 

 Noiva do Rancho  folclórico de Carrazêdo de Montenegro.
 
 
Senhor Albérico e D. Maria Adelaide, casados há mais de 50 anos,  dançam no rancho folclórico.
 

Acordeonista
 

A escada, demasiado alta, e a porta estreita,  são um perigo para quem entra ou sai do pavilhão. Numa situação de pânico podem morrer pessoas.  No interior, o espaço também é pequeno; uma tentação para carteiristas.
 
 
 Para o ano há mais feira do folar!