domingo, 30 de junho de 2013

Por terras galaico-transmontanas

XIX Encontro de fotógrafos e blogues

Encontrava-me em Oeiras quando soube que o XIX Encontro de Blogues e Fotógrafos do Alto-Tâmega e da Galiza iria incluir no programa a passagem pela Fraga dos Três Reinos. Decidido a não faltar, subi na véspera ao Reino Maravilhoso.
 
 
 
Alcaides dos municípios de  Hermisende (Província de Zamora, região de Castela) e de A Mezquita (Província de Ourense, Galiza), no final do encontro, em Castromil de Castela, recebendo medalhas,  pelo apoio prestado às associações organizadoras: Lumbudus flaviense,  Associacion Cultural Os Três Reinos, de Santigoso (A Mezquita) e ONG galega, de Vilardevos - Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas.



Por terras da raia


Palheiros
 
Dois estados, Portugal e Espanha.
Uma nação de cultura e fala galaico-portuguesa, dividida em duas nacionalidades.
 
 
 
Arquitetura tradicional idêntica
 
Moimenta da Raia, Vinhais
 
 
 A Mezquita, Galiza


Moinhos de auga em Moimenta. Atividade industrial, em meio rural, extinta pelo "progresso".
 



Dominação cultural
Em Castromil de Castela a toponímia está escrita em castelhano, por imposição legal, mas os habitantes exprimem-se em galego. É na língua de Rosalia de Castro que falam da emigração para Lisboa no século passado e da cumplicidade entre paisanos da raia, no tempo do contrabando.


 
Casa desabitada em Castromil de Galiza, cerquinha da fonte e da fraga dos Três Reinos.
 
 
 
Problemas comuns:
Emigração/desertificação demográfica
Baixa natalidade
Envelhecimento
 

Castromil da Galiza tem cerca de 20 habitantes.  As casas são muitas mais.


 
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
 
Rosalía de Castro
 
 
 
O mesmo costume, jogando às cartas em Pereiro, município de A Mezquita, ou à sueca na esplanada do restaurante Fraga dos Três Reinos, em Moimenta da Raia. 
 
 
 
Tamém a comer nos entendemos!
 
 
Caldo galego ou caldo verde transmontano, duas gastronomias muito parecidas.
 
 
 
Linhar de Moimenta ou de Castromil?
 
 
 
Desgarrado do grupo de fotógrafos que viajava no autocarro e atraído pela promessa de gaiteirada, no final do Encontro passei pela festa de Canda, cando os outros voltaram p'ra Xabes!
 

 
 
Concha e ferradura, manifestações de fé e de superstição pagã à entrada de casa, em Canda (Alta Sanabria). Pedir a proteção  de Santiago parece ser compatível com talismã que afasta os maus espíritos e dá sorte. Vale!  
 
  

A Fraga dos Três Reinos

 Marco 350, fronteira  entre Portugal e Espanha
Concelho de Vinhais, freguesia de Moimenta
 
 
A mítica Fraga dos Três Reinos, a 1 025 metros de altitude, onde conflui a fronteira entre Trás-os-Montes, Galiza e Castela.
 
 
 
 De acordo com o painel colocado junto ao penedo pelo Ayuntamiento de A Mezquita, os reinos a que alude o nome da fraga são os "três velhos reinos medievais de Portugal, Castela e Galiza".   Mas, será verdade?  A dúvida, legítima, surge porque o reino da Galiza, até 1833, terminava  mais a oriente, na Portela de Padornelo. Só com a reforma administrativa desse ano é que a  região entre as Portelas de Canda e de Padornelo foi retirada à Galiza e integrada na província de Zamora, região de Leão e Castela.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Marco 350 na Fraga dos Três Reinos medievais: Portugal, Leão e Galiza.
 
 
 
 

 
 
 





 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Fonte dos Três Reinos

Ou Fonte do Moço


Próximo do penedo dos Três Reinos, em Moimenta de Vinhais, fica a  Fonte do Moço, a que os habitantes de Castromil (Castela) e de Cadavos (Galiza) chamam de Fonte dos Três Reinos, conforme se pode ler na placa colocada no local pelo Ayuntamiento de A Mezquita, concelho a que a aldeia de Cadavos pertence.
 
 


Nas redondezas da tripla linha fronteiriça era a única fonte que não secava no verão.  Porque permitia aos gados beberem era, por isso, de extrema importância para as três povoações raianas.
 


Apesar da fonte pertencer desde tempos remotos ao termo de Moimenta, de acordo com as Inquirições de 1258, mandadas fazer por D. Afonso III, galegos e castelhanos continuaram a não aceitar a soberania portuguesa. A questão só ficou resolvida com o Tratado de Limites, assinado em1864. Por ele, no Artigo 3º,  o reino de Espanha reconhecia que a fonte fica em território português.




Atendendo, no entanto, aos usos e costumes, reconhecidos pela comunidade, ficou acordado, a seguir ao tratado, que os habitantes de Castromil  e Cadavos poderiam levar os seus gados ao bebedouro comum da dita Fonte do Moço, situação que perdura.



Território português junto à fonte.
 

Vista sobre a Fraga dos Três Reinos e a Serra de Marabon,  espanhola.
  
 
Uma boa caminhada, desde Moimenta da Raia, para os amantes da natureza! 
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pesca à Truta no Rio Tuela

Nuzedo de Baixo, Vinhais

Trutas do Rio Tuela.
O Rabaçal, o Mente e o Tuela gozam da fama de serem rios truteiros, mas a Princesa e eu não tivémos sorte na nossa pescaria no rio Tuela, junto à aldeia de Nuzedo de Baixo, no passado mes de abril.
 

A montante da hidroelétrica das trutas, o Tuela tinha bom nível, a corrente era forte, a água estava fria e límpida. Pareciam reunidas as condições ideais para uma boa tarde de pesca.  No entanto, em abono da verdade, diga-se que somos pescadores inexperientes. Era a nossa primeira pescaria em águas doces!
 
 

Na pesca da truta temos de estar sempre a andar,  para montante ou jusante da corrente, a fazer lançamentos. Se o peixe não pica, desconfiado, o melhor é procurar outro sítio!
 
 
Lugar idílico para uma pescaria diletante e passar férias, em contato com a natureza.
 

Apreciador de peixe do rio, costumo saboreá-lo, frito, no restaurante Beira Rio, em Foz-Tua e numa tasca de Mirandela.  Trutas de viveiro, como-as em casa, compradas no super-mercado mas o sabor não é tão agradável.
 

No café, junto à ponte, disseram-me que no dia anterior alguém tinha pescado uma truta de dois quilos! História de pescadores? Mas trutas no rio Tuela, que las hai, las hai!  Garantem!
 
 
 
 

Feira das Cantarinhas em Bragança

Tradição de sempre!

Foi preciso vir a Bragança duas vezes, 180 km de cada vez, dias 1 e 3 de maio, para descobrir a badalada Feira das Cantarinhas. Da primeira vez, regressei a casa, desiludido. Na segunda, nem tanto, embora a Feira dos Santos, em Chaves, me pareça ser bem melhor!


No primeiro dia, vendo a manhã ensolarada, rumei pela Autovia das Rias Baixas até Bragança, para almoçar no Silva, onde a posta mirandesa já foi melhor guarnecida e apaladada, embora a relação qualidade-preço continue a ser razoável.