sábado, 31 de agosto de 2013

Ceifa à Moda Antiga

Segada em Paredes do Rio, Montalegre

 
 

 
 
 

 











 




 


 
 
 
 


 


 

 
 




 





 

 

 
 
 

domingo, 4 de agosto de 2013

Portugaliza no Festival de Sendim


Uma quimera, a nação portugalega?
Revivalismo celta nas Terras de Miranda?

 
Susana Seivane, gaiteira galega, da Corunha, enfeitiçou participantes do XIV Festival Intercéltico de Sendim,  com inebriante sonoridade, produzida na  gaita-de-foles, e voz refrescante, a saber a Galiza, a nazón de Breogan.
 
Que dirán
Que dirán
Que dirán por aí
Que te quero e te amo
E me morro por ti
 
 
La ruta de ls celtas passa por Sendim, pois claro!
 
 
 
 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Missa do 7º Dia

Aleluia do morgado de Monforte

Crítica de leitura

Vinte páginas, uma leitura muito agradável de uma “quase” bonita história de amor. No “quase”, a surpresa do desenlace. O gabiru da cidade e a Aninhas da pensão da Madalena como que se esfumam perante a força e a astúcia de uma mãe que sabe muito bem o que quer para a filha, agindo e seduzindo o futuro genro, o morgado de Monforte, até o trancar no quarto da moça. Muito engraçado. Uma mulher prática, transmontana até à medula, quer pela conduta, quer pelo discurso. A viragem que aquela missa de 7º dia provoca na ação, faz dela a escolha do título da obra.


E que dizer da toponímia da cidade de Chaves? As ruas, os estabelecimentos comerciais são uma referência constante – o Mocho, os Machados, o Benjamim Eugénio Leite, a padaria Rito, a pensão Império, o Central. Os dois antigos clubes, a feira dos recos no Campo da Fonte, a feira do gado no Tabulado, são pinceladas breves da vida flaviense do século passado.


A linguagem é saborosamente coloquial, com marcas de oralidade local – o biju da Gracinda, a sêmea de Lebução, o meio dia novo, o meio dia velho; aquele pai que “era um bô home”.
Resta agradecer ao autor esta viagem no tempo, por espaços que já foram e estas personagens que parece também terem-se já cruzado connosco, numa qualquer rua da cidade.
 Mariana
10 de julho de 2013



A obra, escrita por Luís Henrique Fernandes,  foi-me oferecida pelo autor, em Castromil de Castela, durante o XIX Encontro de Fotógrafos e Blogues do Alto Tâmega e da Galiza. Já nos tínhamos cruzado em anterior encontro da blogosfera e conhecia-o da internet  pelo pseudónimo de Tupamaro. Os seus comentários no blogue Travancas da Raia, marcados por uma linguagem truculenta e jocosa, deram-me dele a imagem de homem culto, cioso das raízes tamaganas, povo celta que habitou as terras da euro-cidade Verin-Chaves. 


Neste XIX Encontro, durante o almoço no restaurante O Cazador, em Pereiro (Galiza), pudemos conversar um pouco mais, tendo ficado a saber que Tupamaro lia Gilles Deleuze e Michel Foucault. Antes dele, só o amigo Kjell, dos tempos da Sorbonne, me falou da admiração por esses dois filósofos. 



O conto, Missa do 7º dia, foi escrito em 2009, em Mozelos, Vila da Feira, onde o autor mora.  O blogue "Chaves, olhares sobre a cidade" publicou-o na íntegra, de abril a julho de 2011, em onze episódios. Clicar aqui para aceder à obra no blogue. Ao Luís Fernandes,  votos de uma inesgotável  veia literária, para que nos continue a  brindar com a  sua saborosa escrita. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Feira dos Pucarinhos em Vila Real

Dos púcaros à feira da cueca
 
Púcaros de Bisalhães
As duas capitais distritais transmontanas têm feiras anuais com designações associadas à olaria. Feira das Cantarinhas em Bragança e Feira dos Pucarinhos em Vila Real.  Este ano fui às duas. Comparativamente, a de Bragança não é só mais extensa!



Igreja de São Pedro. O santo padroeiro dá o seu nome à feira dos pucarinhos, oficialmente designada Feira de São Pedro, realizada nos dias 28 e 29 de junho.


 
Dois dos quatro oleiros de Bisalhães expuseram os seus produtos no tradicional espaço junto à igreja de São Pedro.  Os  outros ficaram proibidos de ter as barracas abertas, durante a realização da feira, à entrada de Vila Real.
 
 
 
Casa brasonada que pertenceu aos Távoras, família acusada de conspirar contra a vida do rei Dom José I.
 

 
Dona Ana, tecedeira de Agarêz, aldeia de Vila Real onde ainda existem seis. Apesar dos panos de linho serem caros, para a dona Zulmira, tecedeira de Sirarelhos, a presença na feira valia a pena porque se estava a vender bem. 
 
 
 
Panos de linho, de Agarêz. Roupa interior de algodão e fibras substituiramm o linho como matéria prima dos tecidos. Toalhas de mesa ainda se fazem sem ser para decoração.
 
 
 
Latoaria de Vila Real, arte a que o senhor Júlio, benfiquista, continua a dedicar-se, apesar da concorrência dos plásticos.
 
 

 Objetos decorativos.



Plantas medicinais.
Bebo chá de carqueja, provei caldo de urtigas... E porque não experimentar mezinhas feitas com flor de sabugueiro ou de malva, planta conhecida dos romanos para curar ressacas?
 


Porta de madeira com ornamentos feitos manualmente, em prédio da zona histórica. Uma preciosidade em risco de se perder!
 
 
 
Feira da cueca
 
A tradição de comprar púcaros de barro preto já lá vai. Agora, dizem vendedeiras e compradores, em entrevistas à televisão, a tradição consiste em usar cuecas novas compradas na feira de São Pedro.
 
 
 
A cinco euros,  meia dúzia de cuecas.
Camisas "Lacoste", a 10 euros...


Mudam-se os tempos, mudam-se as tradições. 
 
 

domingo, 30 de junho de 2013

Por terras galaico-transmontanas

XIX Encontro de fotógrafos e blogues

Encontrava-me em Oeiras quando soube que o XIX Encontro de Blogues e Fotógrafos do Alto-Tâmega e da Galiza iria incluir no programa a passagem pela Fraga dos Três Reinos. Decidido a não faltar, subi na véspera ao Reino Maravilhoso.
 
 
 
Alcaides dos municípios de  Hermisende (Província de Zamora, região de Castela) e de A Mezquita (Província de Ourense, Galiza), no final do encontro, em Castromil de Castela, recebendo medalhas,  pelo apoio prestado às associações organizadoras: Lumbudus flaviense,  Associacion Cultural Os Três Reinos, de Santigoso (A Mezquita) e ONG galega, de Vilardevos - Centro de Desenvolvimento Rural Portas Abertas.



Por terras da raia


Palheiros
 
Dois estados, Portugal e Espanha.
Uma nação de cultura e fala galaico-portuguesa, dividida em duas nacionalidades.
 
 
 
Arquitetura tradicional idêntica
 
Moimenta da Raia, Vinhais
 
 
 A Mezquita, Galiza


Moinhos de auga em Moimenta. Atividade industrial, em meio rural, extinta pelo "progresso".
 



Dominação cultural
Em Castromil de Castela a toponímia está escrita em castelhano, por imposição legal, mas os habitantes exprimem-se em galego. É na língua de Rosalia de Castro que falam da emigração para Lisboa no século passado e da cumplicidade entre paisanos da raia, no tempo do contrabando.


 
Casa desabitada em Castromil de Galiza, cerquinha da fonte e da fraga dos Três Reinos.
 
 
 
Problemas comuns:
Emigração/desertificação demográfica
Baixa natalidade
Envelhecimento
 

Castromil da Galiza tem cerca de 20 habitantes.  As casas são muitas mais.


 
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
 
Rosalía de Castro
 
 
 
O mesmo costume, jogando às cartas em Pereiro, município de A Mezquita, ou à sueca na esplanada do restaurante Fraga dos Três Reinos, em Moimenta da Raia. 
 
 
 
Tamém a comer nos entendemos!
 
 
Caldo galego ou caldo verde transmontano, duas gastronomias muito parecidas.
 
 
 
Linhar de Moimenta ou de Castromil?
 
 
 
Desgarrado do grupo de fotógrafos que viajava no autocarro e atraído pela promessa de gaiteirada, no final do Encontro passei pela festa de Canda, cando os outros voltaram p'ra Xabes!
 

 
 
Concha e ferradura, manifestações de fé e de superstição pagã à entrada de casa, em Canda (Alta Sanabria). Pedir a proteção  de Santiago parece ser compatível com talismã que afasta os maus espíritos e dá sorte. Vale!