Simpáticaa avózinha transmontana com quem me cruzei em Ifanes e reencontrei mais tarde, em Paradela, na sardinhada junto à capela de San Martinico. Chama-se Maria José.
Quem não teve uma mãe ou uma avó que lhe cantasse e encantasse?
A gravação dos vídeos foi feita em São Joanico, concelho de Vimioso, a seguir ao Jantar de São Martinho, organizado pela AEPGA. Clicar em Cena de San Martino para ver a postagem feita no blogue sobre esse jantar micológico.
Apesar de já se terem passado alguns meses, como me agradam os cantares tradicionais e a voz da 'avó' Avelina, de Caçarelhos, penso que nunca é tarde para divulgar na Internet a riqueza do património humano e musical de Trás-os-Montes.
Como não conheço o nome desta música e não encontrei na Internet informação que me esclarecesse, resolvi atribuir-lhe o título de :
Sou Portuguesa
.
Clicar no nome da marcha para ver a letra completa
Marcha de Vila Real
Coro
Vila Real, oh que linda és
Tens o Corgo aos pés, em adoração
Vila Real, como és gentil
Canta-te Cabril, beija-te o Marão
Coro
Vila Real, oh que linda és
Tens o Corgo aos pés, em adoração
Vila Real, como és gentil
Canta-te Cabril, beija-te o Marão
La Çarandilheira
A Sarandilheira – La Çarandilheira em língua mirandesa – é uma conhecida música de Caçarelhos, concelho de Vimioso, divulgada fora das Terras de Miranda do Douro, graças à extraordinária interpretação de Né Ladeiras e aos Gaiteiros de Lisboa, entre outros grupos urbanos que a cantam. As duas avozinhas, no vídeo, chamam-se Avelina e Adélia Garcia.
Numa pesquisa na Internet não encontrei a letra da "La Çarandilheira", nem o significado da palavra em dicionário de mirandês. No entanto no Forum da Língua Mirandesa é dada a informação que 'çarandilleira' é a mulher que usa a saranda, instrumento com crivo utilizado na eira para separar o cereal da palha.
Em dicionários de português encontrei os verbos sarandar e sarandilhar com o significado de criança ou mulher irrequieta, sem nada para fazer, que não se fixa numa tarefa em particular. Este significado também é referido no Forum.
Embora a sarandilheira seja a mulher que na eira usa a saranda, a canção parece referir-se àquela, como a 'pobrecita Inês' , que gosta de sarandar, divertir-se, ir a festas e merendar com as amigas. Antigamente, na Quinta-feira antes do Carnaval, até havia o costume da merenda das comadres em que as mulheres, sem os maridos, se sentiam bem. De pesquisa em pesquisa descobri o Cancioneiro de San Andrés de Teixido, Galiza. Nele faz-se referência à versão de um romance conhecido pelo nome de Tres Comadres, do qual transcrevo alguns versos, pela semelhança que têm com a letra de La Çarandilheira.
Elas eran tres comadres e dun barrio todas tres, fixeron unha merenda para ir ó San Andrés. Unha puxo vinte ovos outra puxo vintetrés, outra puxo unha empanada coas cortezas ó rives .... .... Alá pola media noite todas falaban inglés. Unha dixo pola lúa: "Mira que doblón de a dez". Outra pola pel do viño: "Mira que neno sin pés". Aló pola media noite chega o marido de Inés, palos nunhas, palos noutras, palos levan todas tres.
O santuário de Santo André de Teixido rivaliza com Santiago como lugar de peregrinação. Entre ambos há rivalidade e ciúmes. "André representa o pobo, a tradición, o elemento autóctono, o agachado e o paganismo; Santiago, ás avesas, o cabaleiro, a invasión, o oficial e a ortodoxia." Na Galiza também há um dito que diz:
Concluindo, para compreender a cultura raiana é preciso ir ao outro lado da fronteira política procurar as raízes de uma cultura com laços comuns. Se juntarmos Caçarelhos, marranos e mercadores montados em burros, talvez possamos começar a perceber o percurso feito pela música La Çarandilheira até à aldeia.
